Meios de comunicação da Ásia-Pacífico prometem responsabilidade e defendem sua própria voz na era da IA

admin
6 Sep, 2026
Shenzhen, 6 set (Xinhua) — Em uma época em que algoritmos têm o poder tanto de capacitar quanto de enganar, os líderes da mídia de toda a Ásia-Pacífico se reuniram em um polo de inovação no sul da China, comprometendo-se a manter a responsabilidade jornalística enquanto defendem uma narrativa distinta para a região. O Fórum de Mídia da Ásia-Pacífico foi inaugurado no sábado em Shenzhen, Província de Guangdong, no sul da China, com o tema “Construindo um Caminho para a Prosperidade Compartilhada da Comunidade Ásia-Pacífico: Consenso e Ação da Mídia.” Mais de 400 representantes de mais de 40 países e regiões, bem como de agências da ONU e organizações internacionais, participaram do evento. Na cerimônia de abertura, 16 organizações fundadoras da China e do exterior formaram conjuntamente o Comitê Organizador do Programa de Parceria de Mídia da Ásia-Pacífico. Os convidados participantes enfatizaram que o desenvolvimento e a cooperação na região da Ásia-Pacífico dependem da participação ativa da mídia. Espera-se que a mídia compartilhe histórias de abertura e integração, forneça uma cobertura abrangente do progresso e conquistas da região em diversos campos e ajude a promover um ambiente favorável de opinião pública para o desenvolvimento aberto da região. RESPONSABILIDADE E CREDIBILIDADE COMO VALORES CENTRAIS NA ERA DA IA A inteligência artificial (IA), como ferramenta eficiente para jornalistas, também pode criar desinformação e deepfakes em uma escala sem precedentes, segundo Nur-ul Afida Kamaludin, diretora-executiva da Agência Nacional de Notícias da Malásia (Bernama). “A tecnologia, portanto, deve aprimorar o jornalismo, e não substituir seus valores fundamentais”, disse ela no fórum, acrescentando que precisão, equilíbrio, justiça, transparência e responsabilidade humana devem permanecer no centro do trabalho midiático. “Nos últimos tempos, tem-se falado muito sobre a transformação digital da mídia, mas no estágio atual o debate nos leva a nos perguntar como podemos fazer essa transformação sem perder nossa responsabilidade jornalística”, disse Félix Paz Quiroz, diretor-geral da agência de notícias peruana Andina. “A tecnologia nos permitiu multiplicar nossa capacidade de reportar, mas a confiança continua dependendo de valores que o digital não pode substituir”, concluiu ele, destacando a importância da verificação, transparência, neutralidade, ética e responsabilidade. U Ye Tint, vice-ministro da Informação de Mianmar, também alertou contra a disseminação de notícias falsas e fraudulentas na era da IA, ressaltando que isso torna a mídia ainda mais crítica para salvaguardar a paz, a estabilidade e a prosperidade na região da Ásia-Pacífico, bem como para construir uma sociedade estável, pacífica e harmoniosa. “Por meio de jornalismo responsável, conteúdo de qualidade e maior cooperação, a mídia pode servir como uma força construtiva para aproximar nossos povos”, observou. Em julho, 29 países assinaram um acordo em Shanghai para estabelecer a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, a fim de lidar com oportunidades e desafios impostos pelas máquinas pensantes. A PRÓPRIA VOZ DA REGIÃO Aminath Namza, presidente da Public Service Media das Maldivas, indicou que, embora a grande parte da narrativa sobre o Sul Global tenha se concentrado em suas vulnerabilidades e crises, é igualmente importante destacar suas conquistas e contribuições para o mundo. “Porque algumas das menores nações podem ter histórias com as quais o mundo pode aprender”, disse ela. Nur-ul Afida compartilhou uma opinião semelhante. “A Ásia-Pacífico é mais do que um conjunto de crises, disputas e estatísticas econômicas. É lar de histórias, culturas, aspirações e histórias humanas diversas que merecem ser compreendidas”, disse ela. Para contar melhor as histórias da região, Virgandhi Prayudantoro, editora-chefe da agência nacional de notícias da Indonésia, LKBN Antara, destacou a importância da cooperação. “Juntos, podemos aprofundar a cooperação de mídia por meio de iniciativas conjuntas de reportagem, aprendizado colaborativo e compartilhamento de conhecimento regional, proporcionando uma plataforma robusta para troca e apoio intelectuais aos membros da APEC”, afirmou. No âmbito de seu marco de parceria de mídia da Ásia-Pacífico, a Agência de Notícias Xinhua lançou este ano um programa de treinamento para 100 profissionais de mídia da Ásia-Pacífico, oferecendo sessões imersivas sobre integração de mídia da China, aplicações de IA, criação de conteúdo AIGC (Conteúdo Gerado por IA) e inovação em disseminação urbana. O consenso deve ser traduzido em ação prática por meio das trocas de conteúdo noticioso e experiência profissional, projetos conjuntos de reportagem, ampliação dos programas de intercâmbio para jovens jornalistas, redes regionais de verificação de fatos e uso ético da IA, disse U Ye Tint. A China sediará a 33a Reunião de Líderes Econômicos da APEC em Shenzhen em novembro deste ano, que marcará a terceira organização do evento pelo país, após Shanghai em 2001 e Beijing em 2014. Este ano marca o “Ano da China” da APEC, com o tema “Construindo uma Comunidade Ásia-Pacífico para Prosperar Juntos.” Aproximadamente 300 reuniões e eventos relacionados à APEC acontecerão em várias cidades chinesas ao longo do ano. Adjacente a Hong Kong, Shenzhen foi uma das primeiras zonas econômicas especiais da China e, desde então, evoluiu, ao longo de quatro décadas, para um polo global de inovação e manufatura avançada. Fonte: Agência Xinhua — https://portuguese.news.cn/20260906/9f3e026bb9b34e55bf03504544151af5/c.html ✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp. Marque o Brasil 247 como fonte preferida no Google: