Gilberto Gil emociona no Rock in Rio e ensaia despedida: ‘Estou cansado’
8 Sep, 2026
Gilberto Gil entrou no Palco Mundo do Rock in Rio na noite de segunda-feira, 7 de setembro, como quem já conhecia cada metro daquele território. Aos 83 anos, o cantor caminhou devagar, segurou a guitarra e deixou que a própria história ocupasse o espaço. Vestido de branco, com detalhes prateados, abriu a apresentação com versos de “Cérebro Eletrônico”, antes de atacar “Palco”. A escolha teve peso simbólico: Gil não precisava correr para provar nada a ninguém. Elton John canta por mais de 2 horas e arrebata o Rock in Rio Aos primeiros minutos, porém, o clima de celebração ganhou uma camada inesperada. Diante do público, Gil admitiu a possibilidade de aquela ser sua última participação no festival. “Eu estive aqui no primeiro Rock in Rio. Talvez esse seja o meu último. Estou cansado, vamos ver”, afirmou. A frase não soou como mero comentário. Afinal, depois de cinco passagens pelo evento, o artista sabe exatamente o tamanho de sua trajetória naquele palco. Filgueiras, do ‘Estrelas da Casa’ esquece letra no palco do Rock in Rio E é justamente aí que a apresentação ganhou força. Gilberto Gil não entregou a performance física de outras épocas. Andou pouco, preservou os movimentos e apresentou uma voz mais frágil. Ainda assim, seria injusto medir aquele show pelos parâmetros de um artista no auge físico. Gil ofereceu outra coisa: repertório, memória, elegância e uma capacidade impressionante de fazer milhares de pessoas cantarem sem precisar disputar atenção com o espetáculo. Gilberto Gil emocionou o público – Foto: Léo Franco/ AgNews Quando o repertório fala mais alto que o corpo “Foram 16 músicas em pouco mais de uma hora, com clássicos como “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana”, “Realce”, “Pela Internet” e “Palco”. O público assumiu boa parte dos vocais, quase como se devolvesse ao artista tudo aquilo que recebeu dele ao longo de décadas. Nesse sentido, o show funcionou menos como uma apresentação convencional e mais como uma celebração coletiva da obra de Gil. Clima dos anos 2000 tomou conta da Cidade do Rock Noite do metal ficou sob chuva Famosos curtem o Rock in Rio mesmo com frio O telão com imagens de antigas edições do Rock in Rio e a pirotecnia sobre a Cidade do Rock reforçaram essa sensação. Havia um evidente diálogo entre passado e presente. Entretanto, em alguns momentos, o aparato visual parecia disputar espaço com aquilo que realmente importava. Gil não precisava de grandes efeitos para justificar sua presença. Sua história já era o maior espetáculo daquela noite. O artista esbanjou sucessos – Foto: Léo Franco/ AgNews Família, Rita Lee, Bob Marley e uma história que continua Um dos momentos mais delicados aconteceu quando Gil dividiu o palco com filhas e netas para cantar “Ovelha Negra”, de Rita Lee. A participação familiar trouxe intimidade para uma apresentação marcada pela dimensão histórica. Além disso, Gil ainda passeou pelo inglês, revisitou Bob Marley e recebeu Liminha no baixo em “Vamos Fugir”, canção lançada em 1984. Há, portanto, uma contradição bonita naquela noite. Gilberto Gil parecia cansado, mas sua obra permanecia absolutamente viva. A voz já não tinha a mesma potência, porém as músicas continuavam intactas. E talvez essa seja a maior provocação deixada pelo show: um artista desse tamanho não precisa esconder o tempo. Pode simplesmente subir ao palco, reconhecer seus limites e, ainda assim, fazer uma multidão cantar junto. Receba as notícias de OFuxico no seu celular! O Rock in Rio sempre vende a ideia de juventude, excesso e grandiosidade. Gilberto Gil apresentou o contraponto. Aos 83 anos, mostrou que também existe força na contenção. Se aquela realmente foi sua última passagem pelo festival, ficará marcada menos como uma despedida e mais como o encontro de um gigante da música brasileira com uma plateia que já sabia, de cor, cada caminho daquela história. O post Gilberto Gil emociona no Rock in Rio e ensaia despedida: ‘Estou cansado’ apareceu primeiro em OFuxico .