ETCRAM: Memórias analógicas tornarão aparelhos mais inteligentes localmente

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23 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/09/2026 ETCRAM Tem emergido uma série de arquiteturas alternativas de computação, a maioria voltada a nichos de aplicação, mas uma nova abordagem mais genérica vem silenciosamente tomando forma. Trata-se de uma memória eletrotermoquímica de acesso aleatório, ou ETCRAM (Electro-Thermo-Chemical Random-Access Memory). A ETCRAM funciona de maneira diferente das memórias digitais convencionais, que representam informações como uns e zeros em pastilhas de silício. O grande diferencial é que, em vez de se limitar a dois valores (0s e 1s), essa nova arquitetura de memória pode armazenar uma gama de valores analógicos, o que faz com que ela apresente vantagens só encontradas nos computadores quânticos. Seu funcionamento se baseia no uso de pontos localizados de aquecimento e pulsos elétricos para alterar as propriedades dos materiais que formam o componente - os primeiros protótipos foram fabricados com materiais à base de tântalo e óxidos de vanádio. O resultado é uma tecnologia de memória capaz de armazenar informações com precisão e alcance dinâmico muito maiores do que as tecnologias de memória analógica existentes. Como o componente pode armazenar vários estados analógicos distintos, em vez de simplesmente alternar entre zero e um, torna-se possível executar tarefas computacionais com menor consumo de energia. "A tecnologia que desenvolvemos foi projetada para superar uma limitação da nossa tecnologia de computação atual e realmente melhorar a eficiência energética," disse Elliot Fuller, do Laboratório Nacional Sandia, nos EUA. "A ETCRAM é capaz de atingir uma precisão 100 vezes maior do que a tecnologia de ponta existente e uma faixa dinâmica pelo menos três ordens de magnitude [1000x] maior. Esse é o valor de um número que você pode armazenar em formato analógico." Memória parecida com bateria O princípio de funcionamento da memória ETCRAM lembra o de uma bateria: Carregue uma bateria aos poucos e vá observando o percentual de carga que ela guarda ao longo do tempo; se você parar em qualquer dado momento, aquele nível de carga pode funcionar como um número armazenado. Na verdade, a equipe começou trabalhando justamente com materiais usados em baterias, mas materiais que são bons para armazenar energia não são necessariamente adequados para armazenar informações - os íons de lítio, por exemplo, são ótimos para armazenamento de energia, mas não são ideais para o armazenamento de dados. "Nós queremos armazenar a maior densidade de informação possível em um determinado volume," detalhou Fuller. "O desafio com a eletroquímica geralmente reside na sua lentidão. O segredo para fazer esse elemento de memória funcionar foi fazê-lo aquecer-se sozinho. Ele aquece quando a eletroquímica é ativada, e é isso que nos proporciona essa ampla faixa dinâmica e permite uma altíssima precisão." As primeiras intenções de uso da nova tecnologia de memória analógica estão se concentrando na computação de borda, na qual as informações são processadas perto de onde são coletadas, em vez de serem sempre enviadas para um processador remoto ou sistema de computação na nuvem. Pense, por exemplo, na câmera de um celular: O sensor capta a luz e o telefone realiza a maior parte do processamento de imagem localmente, usando hardware dedicado, antes que a imagem final apareça. Na computação de borda, uma parte maior desse processamento, como análises de nível superior, podem ser realizadas ainda mais perto do sensor, eventualmente incluindo o processamento analógico ou de sinais mistos no próprio sensor. Isso pode ajudar a melhorar tanto a velocidade quanto a eficiência energética, consumindo menos bateria.