No Brasileirão, Santos faz melhor campanha na década e mira Libertadores

admin
26 Sep, 2026
Com série de vitórias fora de casa, Santos tem a terceira melhor campanha do returno DIVULGAÇÃO/SANTOS A dez rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, o Santos faz sua melhor campanha nesta década. Com uma surpreendente arrancada no segundo turno, impulsionada por série inédita de vitórias fora de casa na era dos pontos corridos, a equipe deixou a briga contra o rebaixamento e está na oitava colocação, com 38 pontos. Nas outras quatros edições que disputou no período (a década começou oficialmente em 1º de janeiro de 2021), o clube nunca esteve acima do décimo lugar na reta final. A última vez que superou essa barreira foi em 2020, quando também era oitavo, com 39 pontos, um a mais que agora. Porém, na atual disputa o aproveitamento do Alvinegro da Vila Belmiro é superior, pois tem um jogo a menos, o clássico contra o São Paulo, adiado da 21ª rodada e que será disputado na próxima sexta-feira (2), no Morumbis. Curiosamente, no Brasileirão de seis anos atrás o técnico santista também era Cuca. Na ocasião, a equipe perdeu para o Atlético-MG na 28ª rodada por 2 a 0, em Belo Horizonte, dias antes de disputar a final da Libertadores contra o Palmeiras. O comandante do rival era Jorge Sampaoli, que no ano anterior havia conduzido o Peixe ao vice-campeonato brasileiro, última trajetória realmente marcante do clube na principal competição do país. Agora, em seu quarta passagem pelo Santos, Cuca lidera a equipe em uma reação expressiva no segundo turno, com cinco vitórias, dois empates e uma derrota. O momento faz a torcida sonhar com uma vaga na Libertadores após cinco anos distante do torneio continental. “Se ela vier (vaga na Libertadores), vai ser por mérito nosso ao natural, sem nos autopressionar, senão cria uma expectativa e ela não vem. Vocês viram o tamanho do buraco que fica.”, declarou Cuca após a vitória sobre o Remo, em Belém, no dia 21 de setembro. Década do Santos já teve rebaixamento inédito e série de sufocos Na brilhante campanha de 2019, com um time que sufocava adversários, o Santos perdeu o título para o Flamengo mesmo fazendo sua maior pontuação nos pontos corridos com 20 clubes (74). No ano seguinte, com estádios vazios e calendário atrasado devido à pandemia de Covid-19, o Peixe teve sua última trajetória de sobressaltos. Na terceira década do século 21, a realidade do Santos passou a ser brigar contra o rebaixamento. Em 2023, o clube caiu para a Série B pela primeira e única vez. Na campanha mais dolorosa da história santista, a equipe ocupava a 18ª colocação, com 30 pontos, após a 28ª rodada. Em 2021 (16º com 32), 2022 (10º com 37) e 2025 (13º com 34) o Peixe conviveu com o fantasma do descenso até os jogos finais. No ano passado, Neymar foi o “bombeiro” nas partidas derradeiras. O camisa 10 disputou a reta final do Brasileirão com o joelho esquerdo machucado, adiando uma artroscopia na região. Mesmo no sacrifício, o atacante foi protagonista na série de três vitórias que livraram a equipe do rebaixamento ao fazer quatro gols. Desta vez, o craque tem sido desfalque por lesão muscular nas últimas rodadas e a equipe, com reforços recém-incorporados, conseguiu superar a baixa e emendar vitórias essenciais. Série 100% inédita fora de casa leva equipe ao G3 do returno O Santos terminou o primeiro turno na 15ª colocação, com 21 pontos, apenas um acima do Z4. Após os dois primeiros jogos do returno, um empate com a lanterna Chapecoense e derrota para o Athletico-PR, ambos na Vila Belmiro, a indicação era de que, mais uma vez, o clube teria que empreender uma batalha contra o rebaixamento. Mas o cenário começou a mudar no dia 16 de agosto, nos 3 a 0 sobre o Vasco, em São Januário. O primeiro triunfo fora de casa na competição, em confronto direto contra o Z4, inaugurou série de quatro vitórias seguidas como visitante. A sequência, inédita na história do clube na era dos pontos corridos e a primeira desde 1984, passou também por Corinthians, Internacional e Remo. No período, o Peixe ainda empatou com o Mirassol e venceu o Cruzeiro, na Vila Belmiro. Com 17 pontos em oito jogos, o Santos tem a terceira melhor campanha do returno, abaixo apenas do Flamengo (líder do campeonato), com 20, e Cruzeiro, com 18. Porém, os dois adversários fizeram nove partidas. Assim, caso saia vencedor do clássico contra o São Paulo, o Peixe assumirá a liderança do segundo turno ao lado do Rubro-Negro, justamente o rival na rodada seguinte, dia 8 de outubro, em casa. “Vamos jogar jogo a jogo, o próximo é o São Paulo no Morumbi. Vamos nos preparar bem para o jogo de lá. Perdemos um jogador hoje, Bontempo vai para a Seleção, vamos nos preparar bem para na outra sexta-feira jogar lá ”, enfatizou Cuca, mantendo o discurso cauteloso. Após quedas nas Copas, dedicação absoluta ao Brasileirão A disparada no Brasileirão coexistiu para o Santos com a frustração nas copas. O sonho de voltar a conquistar um título importante após mais de uma década esbarrou em Palmeiras, na Copa do Brasil, e Atlético-MG, na Sul-Americana. Com isso, o clube irá se dedicar exclusivamente à disputa por pontos corridos até o fim do ano. E o ótimo momento na competição faz a equipe sonhar com vaga na Libertadores. Oito pontos separam o Peixe do Bahia, que fecha o G5, distância que cairá para cinco em caso de vitória no SanSão. Além disso, a depender do desfecho de outros torneios há a possibilidade de a zona de classificação estirar-se e virar até G8. Ou seja, tornando a tarefa santista bem mais factível. Das 11 partidas que restam, seis serão longe da Vila Belmiro e cinco em casa. Além do São Paulo, o time irá visitar Atlético-MG, Fluminense, Red Bull Bragantino, Coritiba e Vitória. Por sua vez, como mandante, o Peixe terá pela frente líder e vice-líder (Flamengo e Palmeiras), além de Bahia, Grêmio e Botafogo. A dupla tarefa de consolidar a melhor campanha na década e retornar à disputa da Libertadores é essencial para mitigar a severa crise financeira do clube. Ela se junta ao fato de o Santos ter eleições presidenciais em dezembro e ainda não saber se Neymar ficará para 2026. A única certeza que haverá influência dos resultados em campo nos dois fatos.