Dupla do Corinthians avalia temporada de superação e analisa hegemonia paulista no Brasileirão

admin
26 Sep, 2026
Dupla do Corinthians avalia temporada de superação e analisa hegemonia paulista no Brasileirão O ano de 2026 do Corinthians Feminino tem sido uma verdadeira prova de resistência, marcada por flutuações de desempenho e desconfiança de parte da crítica. Durante entrevista coletiva concedida no CT Dr. Joaquim Grava, a lateral-esquerda Tamires destacou a postura do elenco para superar os questionamentos e enfatizou a bagagem internacional acumulada no início do ano como trunfo. "Para mim, esta temporada é pautada por muita coragem e persistência de todo o departamento do Corinthians. Nós começamos lá na Copa das Campeãs, onde superamos adversidades em momentos em que muitos desacreditaram de nós. Fomos lá (na Inglaterra) e jogamos de igual para igual contra o Gotham e contra o Arsenal, o que nos deu uma bagagem gigante logo no início do ano", iniciou. A rotina de uma equipe vitoriosa exige lidar não apenas com o desgaste físico do calendário, mas também com intercorrências do dia a dia e intempéries climáticas que desafiam a preparação. Sem esconder as dificuldades encontradas ao longo dos meses, a experiente defensora alvinegra ressaltou que a união interna foi a chave para contornar os momentos de oscilação e manter o grupo focado no objetivo principal. "Ao longo da temporada e dos outros campeonatos, é claro que ninguém é regular o tempo todo. Tivemos altos e baixos, enfrentamos até o clima, com muita chuva nos treinos ultimamente, mas nada disso nos abalou. Faça chuva ou faça sol, nós nos mantivemos firmes. Claro que não vou expor o que vivemos no dia a dia, até porque em qualquer lugar existem problemas. Nós sempre teremos percalços, mas, se estivermos unidas, conseguiremos superar tudo", relatou. Em meio às pressões externas e às especulações do ambiente do futebol, o vestiário alvinegro optou por fechar brechas e focar estritamente no trabalho diário. Ao falar sobre a força mental do elenco para garantir vaga em mais uma decisão nacional, Tamires usou uma metáfora marcante para ilustrar como a proteção contra interferências externas garantiu a solidez do grupo. "Nenhum barco afunda pela água de fora, ele afunda pela água que entra. Não podemos deixar isso acontecer. Nós nos blindamos, nos fortalecemos e sabíamos que essa consistência nos levaria até aqui: à nossa décima final, com um elenco muito consciente e preparado para o que precisa ser feito", completou. A percepção de que o patamar de exigência do futebol brasileiro subiu e que a concorrência se intensificou também foi endossada no discurso das atletas. A meia Andressa Alves reforçou a análise da companheira sobre o cenário de desconfiança encarado pelo clube e lembrou que a manutenção no topo exige um esforço contínuo, longe dos holofotes. "Só para complementar o que a Tamires falou: a cada ano o Campeonato Brasileiro fica mais difícil. Então, chegar a mais uma final é algo que precisamos valorizar muito, porque não é fácil. No começo da temporada, muitas pessoas desacreditaram de nós, dizendo que não chegaríamos à decisão. Mas a gente simplesmente trabalha em silêncio e continua fazendo o que precisa ser feito", observou. Neste sábado, as Brabas voltam a campo para receber o São Paulo, às 16h30, na Neo Química Arena, em uma final de Brasileirão decidida por duas equipes paulistas. Ao analisar a hegemonia dos clubes do estado na modalidade, Andressa apontou o nível do futebol paulista como motor desse domínio, mas fez questão de saudar projetos emergentes de outras regiões do país que tentam equilibrar as forças no cenário nacional. "Acho que o futebol feminino sempre foi muito concentrado aqui em São Paulo. Os times paulistas são muito fortes porque, além do Campeonato Brasileiro, o Campeonato Paulista é uma competição de altíssimo nível, o que acaba fortalecendo os clubes do estado. Mas fico muito feliz pela campanha que o Bahia fez nesta temporada, mostrando que vem investindo bastante. O Cruzeiro também, apesar das lesões que enfrentou este ano, é um clube que sempre apoia a modalidade. A gente espera que isso continue e não fique restrito a São Paulo. Que outros clubes pelo país sigam investindo, porque meu desejo é que o Campeonato Brasileiro seja cada vez mais difícil e competitivo de se conquistar", ponderou. O favoritismo e a estrutura das equipes paulistas também passam por uma construção de bastidores que envolve visibilidade, investimentos contínuos e organização diretiva. Ao abordar a força do estado, Tamires chamou a atenção para o papel decisivo da Federação Paulista de Futebol (FPF) na criação de uma base sólida e no ganho de espaço de mídia ao longo dos anos. "E tem também a questão do planejamento. A Federação Paulista já vem há muitos anos incentivando o futebol feminino, desde quando a gente nem tinha visibilidade. Hoje teremos seis redes de transmissão cobrindo o Campeonato Brasileiro e exibindo os jogos ao vivo, algo que não acontecia antes. A Federação Paulista sempre continuou acreditando. Então toda essa hegemonia dos clubes paulistas se deve a um trabalho de investimento a longo prazo", destacou a defensora. Para além das fronteiras locais, a maturidade do modelo paulista serve hoje como parâmetro para projetos que buscam consistência fora do eixo principal. Encerrando sua análise sobre o panorama do futebol feminino nacional, a camisa 37 fez questão de reconhecer as iniciativas que despontam em outros estados como sinal de evolução para a modalidade como um todo. "Vale parabenizar também o Bahia, porque eles estão justamente nesse processo de longo prazo, investindo e acreditando no departamento de futebol feminino por lá. Isso é muito importante, assim como ver outros estados seguindo essa mesma linha. Vejo Minas Gerais mudando um pouco a mentalidade sobre o futebol feminino, o Sul também, enfim. A Federação Paulista e o estado de São Paulo lideram essa bandeira, e isso serve de exemplo para o país", finalizou. Maior campeão do Brasileirão Feminino, com sete títulos, o Corinthians chega à décima final consecutiva. O São Paulo, por outro lado, disputa apenas sua segunda decisão. No histórico do clássico, as Brabas levam vantagem: em 30 encontros, são 18 vitórias, cinco empates e sete derrotas, além de 51 gols marcados e 33 sofridos.