Tite é o nome certo para o Botafogo e dá o pontapé inicial à nova era

admin
29 Sep, 2026
Tite terá muito trabalho pela frente Foto: Vítor Silva/Botafogo Apesar da demora de quase um mês e de tensões que poderiam ser evitadas, o Botafogo acertou ao contratar Adenor Leonardo Bachi e ao oferecer-lhe um contrato longo. O time alvinegro agora é comandado pelo melhor treinador brasileiro dos últimos 15 anos e por alguém que não encontrou compatriotas para antagonizar com o seu trabalho. Sucessores do novo comandante do Glorioso na Seleção Brasileira, Fernando Diniz e Dorival Júnior conquistaram títulos importantes. Eles, contudo, não alcançaram a regularidade do treinador gaúcho, acumulam insucessos recentes e ficam longe da primeira prateleira. Em 2019, durante o início da “invasão estrangeira” na terra de Vera Cruz e da chegada de treinadores que escancararam a defasagem dos professores tupiniquins, Tite ganhava uma Copa América e preparava o Brasil para a Copa do Mundo de 2022 com uma campanha quase irrepreensível nas Eliminatórias Sul-Americanas. No Qatar, a equipe verde e amarela ficou nas quartas de final outra vez. Adenor, na sequência, acumulou trajetórias frustrantes por Flamengo e Cruzeiro. No entanto, ninguém discorda de que, na Seleção, o gaúcho realizou os melhores ciclos desde o pentacampeonato de 2002. Botafogo se cansou dos novatos Há uma semana, Fernando Would Make escreveu que o Botafogo é a oportunidade ideal para Tite inverter o sinal de viés de queda e recuperar a sua vitalidade. Esta coluna acrescenta que o treinador aceitou interromper o descanso e retomar a carreira por conta de uma estrutura de empresa que o Botafogo ainda mantém. Mesmo com toda a crise econômica deixada pela última gestão, a SAF consegue oferecer um projeto convincente para um profissional com tamanho gabarito justamente por não operar no modelo associativo. Na época dos amadores, aliás, esta aquisição seria impensável. Nos clubes por onde passou, Tite conquistou todos os canecos possíveis: Estaduais, Copa do Brasil, Brasileirão, Copa Sul-Americana, Recopa, Libertadores e Mundial. Nenhum outro técnico alcançou este patamar. Por isso, diante de todas as turbulências de 2026 e da aposta recente em treinadores iniciantes, vê-lo na sala de imprensa do Estádio Nilton Santos, no gramado do Espaço Lonier e no banco de reservas alvinegro transmitiu, assim, uma sensação maior de segurança. Além disso, indicou o começo de uma nova era na política da escolha de um técnico. Nada, portanto, de apostas, iniciantes e de profissionais abaixo dos 40 anos de idade. A torcida do Botafogo, por sua vez, precisa de paciência e parar de pedir a cabeça de treinador com cinco ou seis partidas, como ocorreu, por exemplo, com o injustiçado Renato Paiva. Dificilmente Tite levará o Glorioso à Libertadores. Falar em G5, hoje, é escapar da realidade. Mas o time conta com mais chances de cruzar a barreira dos 45 pontos de forma mais serena para começar, então, um 2027 com novas ambições.