João alcança Raquel e o empate desmonta certezas na reta final em PE

admin
29 Sep, 2026
João alcança Raquel e o empate desmonta certezas na reta final em PE No espaço de um ano, os dois grupos alimentaram ideias de vantagem irreversível, mas a pesquisa aponta equilíbrio e mantém indefinida a disputa. Clique aqui e escute a matéria A eleição pernambucana chega à sua semana decisiva confirmando o que esta coluna vem apontando há meses. Não seria fácil para João Campos (PSB), tampouco para Raquel Lyra (PSD). A ideia de uma eleição acirrada, para qualquer dos lados, sempre era ignorada por quem estava na frente em algum momento. Antes, quando João liderava, seu grupo ridicularizava quem dizia que Raquel iria subir. Depois, quando ela ultrapassou, o grupo ligado ao Palácio passou a acreditar que ela abriria uma vantagem imensa e irreversível. Os dois lados estavam errados. O aperto nos números está aí. A Quaest divulgada nesta terça-feira mostra os dois com 42% das intenções de voto, num empate que dá a medida da competição e da importância dos poucos dias que restam até domingo (4). O tempo para convencer o eleitor está acabando. A disputa continua aberta e imprevisível. Trajetórias O mesmo percentual tem significados diferentes para as duas campanhas. João chegou aos 42% depois de registrar 36%, 37% e 39% nas rodadas anteriores da Quaest. Raquel percorreu o caminho dos 44%, 43% e 41% até alcançar os atuais 42%. A distância entre eles caiu de oito para seis pontos, depois para dois e agora desapareceu. A governadora oscilou positivamente nesta rodada. Perdeu a vantagem porque o adversário avançou mais. João ganha um argumento político importante para mobilizar sua campanha nos últimos dias. A aproximação que vinha buscando finalmente produziu igualdade na pergunta principal. Raquel, por sua vez, terá que enfrentar a reta final sem a vantagem numérica que tornava a manutenção do cenário conveniente para sua candidatura. Na simulação de segundo turno, o resultado também é de igualdade, com 44% para cada um. Isso não significa que haverá uma segunda votação. É preciso distinguir o movimento registrado de uma previsão sobre o próximo. João conseguiu alcançar Raquel. A pesquisa não assegura que conseguirá ultrapassá-la, muito menos que vencerá a eleição. A margem de erro de três pontos exige cautela com as oscilações, mas a sequência ajuda a compreender por que as duas campanhas recebem de maneira diferente um resultado numericamente igual. É questão de trajetória. Desgaste Outras respostas dão mais consistência à leitura do empate. Na rodada anterior, 60% dos entrevistados diziam conhecer Raquel e admitir votar nela, contra 54% de João. Agora, ambos têm 57%. A vantagem de seis pontos da governadora nesse indicador desapareceu. Não se trata de votos garantidos, mas da disposição declarada do eleitor de considerar cada candidatura. Na rejeição, houve uma inversão numérica. João passou de 38% para 36%, enquanto Raquel saiu de 34% para 38%. O crescimento do ex-prefeito na intenção de voto vem acompanhado de melhora em sua aceitação. A governadora continua competitiva, mas encontra resistência maior do que na rodada anterior. É esse conjunto, observado com os limites da pesquisa, que torna o empate mais significativo. Raquel conserva, porém, força que seria um erro desprezar. Seu governo tem 59% de aprovação, e 60% afirmam que ela merece outro mandato. Na espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, aparece com 35%, diante de 30% de João. São indicadores favoráveis, embora nenhum deles possa ser convertido automaticamente em voto. A tarefa de sua campanha é transformar esse reconhecimento em preferência na urna. Decisão Ainda faltam elementos importantes antes da votação. Há uma nova pesquisa Datafolha aguardada nesta semana e, no sábado, as rodadas finais de Quaest e Datafolha. Elas permitirão observar se a aproximação registrada agora continua, se encontra um limite ou se dá lugar a uma recuperação da governadora. Até lá, cada campanha tentará fazer a sua leitura do empate prevalecer. Os debates também têm peso especial nesse calendário apertado. O desempenho dos candidatos e a circulação de suas falas nos dias seguintes podem ajudar João a ampliar o crescimento, mas também podem interrompê-lo e abrir espaço para Raquel voltar a ganhar terreno. Em uma disputa assim, os últimos confrontos têm potencial para repercutir até a hora do voto. A Quaest acrescenta um dado que torna esse momento ainda mais delicado. Entre os eleitores consultados sobre a decisão, 80% dizem que a escolha é definitiva, ante 79% na rodada anterior. Outros 20% admitem mudar. Na estimulada, há 10% de indecisos, um grupo que não deve ser somado automaticamente aos que aceitam trocar de candidato. A consolidação do voto praticamente não mudou e tampouco entregou um favorito. Duas candidaturas chegam à última semana com forças semelhantes, trajetórias diferentes e pouco tempo para alterar o desfecho. Quem vencerá continua sendo uma pergunta sem resposta.