Em atrito com CR7, Jesus cativou medalhões (e tretou com eles) no Flamengo

admin
1 Oct, 2026
Se Cristiano Ronaldo entrou em atrito com Jorge Jesus — a exemplo do que tinha acontecido com Neymar —, o técnico português acumulou admiração entre os jogadores na passagem pelo Flamengo. O cenário que gera contraste com CR7 na seleção portuguesa envolveu, no Rio, até mesmo os medalhões do elenco rubro-negro. O discurso de que "quem manda sou eu" adotado por Jesus na seleção portuguesa já é antigo. E a galera no Flamengo viveu isso. Com Cristiano Ronaldo, isso se reflete na escolha de deixar o astro no banco. No Fla, na definição de regras dentro do elenco e, muitas vezes, dar algumas respostas meio atravessadas. A questão é como os jogadores responderam a isso. Do famoso "tá mal, Arão" a outros episódios, o Mister foi linha dura, mas acabou cativando e criou uma relação que dura até hoje com expoentes daquela geração. Mister e os medalhões No Fla, Jesus encontrou jogadores com experiência de Europa que tinham bagagem para não serem tratados como "crianças". A lista contava, por exemplo, com Filipe Luís, Diego Ribas, Diego Alves e Rafinha. O ex-zagueiro Rodrigo Caio mencionou que Jesus fazia cobranças diretas, que tiravam até mesmo jogadores tarimbados da zona de conforto. Willian Arão, hoje no Santos, ouviu um "agora quem manda sou eu" quando disse ao técnico para não mexer na roda de bobinho antes do treino. Mesmo com uma postura vista como professoral ao extremo — como se o Mister dissesse que os jogadores sabiam nada sobre futebol —, o grupo queria provar valor ao treinador. Diego Ribas foi cobrado de forma explícita porque teve um problema no primeiro dia e se atrasou para o treino. Tomou uma bronca especialmente por ser capitão. Mas se fascinou pelo aspecto da liderança do português. À beira do campo, era comum ver Jesus gesticulando com intensidade, sem pudor de brigar com quem entendesse ser necessário. Jesus fazia o time avançar com intensidade e conteúdo. Enlouquecida, a torcida do Flamengo ia no embalo do comandante. Com isso tudo, Filipe Luís não só se derreteu pela figura de Jorge Jesus, como passou a se inspirar nele para ser treinador. Anotava os treinos para compreender melhor e, no futuro, aplicar seu estilo de jogo. O ex-lateral já disse que teve "umas 20 ou 30 discussões" com Jesus. E, depois, deu razão ao treinador em mais da metade. Rafinha é mais um que tem o que contar nessa relação com Jorge Jesus. "Quando a gente ganhava, ele piorava", já disse o agora dirigente em algumas entrevistas. Os dois tiveram discussões na sala do treinador, mas uma delas foi no campo, em um jogo contra o Internacional, pelo Brasileirão. O técnico não gostou que Rafinha entrou numa confusão com colorados, depois da expulsão de Guerrero. Jesus puxou o braço do lateral, que retrucou e o sangue dos dois esquentou. No dia seguinte, Jesus chamou Rafinha em sua sala no Ninho, repreendeu o jogador, mas a relação entre os dois não se abalou. O saldo disso tudo? Resultados, atuações marcantes e títulos. Um encontro relativamente recente, em maio deste ano, reuniu no Rio Jesus, Diego Alves, Rodrigo Caio, Vitinho, Filipe Luís, Diego Ribas e Bruno Henrique. Além de vinho, conversa e sorrisos, um sentimento de saudade. "Esse é o melhor time que eu tive na minha vida", disse Jesus. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.