BBC mostra como tecnologia está revelando milhares de geoglifos no Acre
1 Oct, 2026
Um estudo realizado por cientistas do Brasil e da Finlândia, publicado em revistas renomadas da área, destaca a Civilização Aquiry, que viveu no território onde atualmente é o Acre, e construiu os geoglifos. A BBC News fez um documentário explicando o que são as estruturas e quais tecnologias estão sendo usadas para identificar o que está embaixo das árvores. Na região amazônica, os pesquisadores usaram uma tecnologia chamada LiDAR, sigla em inglês para detecção e medição de distância por luz. O vídeo está disponível no YouTube da BBC News. Nos últimos anos, foram identificados quase 1.300 estruturas, mas com uma tecnologia chamada Lidar (Light Detection and Ranging), o número real pode ser cerca de 20 mil, de acordo com o estudo. A estimativa, de arqueólogos brasileiros e finlandeses, aponta que, caso os números estejam corretos, era necessário uma população indígena pré-colonial de 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes. VEJA MAIS: Do alto, a história: 40 anos do primeiro registro aéreo dos geoglifos no Acre O artigo, chamado “Over 20,000 precolonial earthworks in the Southwest Amazonia” é assinado pelo professor da Universidade Federal do Acre, Alceu Ranzi, por Rhuan Carlos Lopes, da Universidade Federal do Pará, e por Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque. O artigo também foi destaque no Aventuras na História e no O Globo. Lidar A nova tecnologia consiste no disparo de pulsos de laser, que podem ser enviados por drones ou aviões, durante sobrevoos da região que se deseja estudar. O laser permite reconstruir variações de revelo de no solo com considerável grau de precisão. Além disso, a tecnologia consegue detectar áreas que foram cobertas com a vegetação ao longo do tempo. Ao ContilNet, após a publicação de outro artigo chamado “Ancient Amazonian Earthwork Roads: Unveiling Ceremonial, Livelihood, and Networking Significances”, é assinado por Risto Kalliola, Martti Pärssinen, Alceu Ranzi e Antonia Damasceno Barbosa, o professor explicou que a pesquisa iniciou há 25 anos. “Todos os anos, durante esses 25 anos, no mês de junho e julho nós estamos trabalhando. Então, quando a gente produz alguma coisa é o resultado de muito esforço e estamos muito felizes em poder oferecer à comunidade essas respostas do que são os geoglifos, quem construiu, quando construiu, que idade tem, e agora descobrimos que todas essas figuras estão interligadas entre si. Havia comunicação por essas estradas e esse artigo específico é para mostrar que eles não eram figuras isoladas, que eles estavam conectados por estradas”, destacou. “Existe um mundo de informações e locais que ainda desconhecemos”, admite Antonia. O foco atual dos pesquisadores é entender a funcionalidade de cada caminho. “Muitas estradas levam a igarapés e fontes de água, outras ligam estruturas entre si, e algumas parecem levar a lugar nenhum”, disse. No artigo, os autores citam a “Civilização Aquiry”, que faz referência ao povo que vivia no território onde hoje é o Acre. “O termo civilização Aquiry foi dado pelo Dr. Parssinen, que discutiu comigo qual nome seria para a gente dar a essa a essa civilização. E aí eu disse que essa civilização poderia ser dada o nome de Aquiry, que houve um documento em 1865, do William Chandless, em que ele escreveu que o Rio Aquiry era o principal afluente do Purus, que depois esse Aquiry se transformou em Acre, então por isso, a gente deu o nome de civilização Aquiry”, explicou. Nos locais onde foi possível observar para onde as estradas se dirigiam, os pesquisadores concluíram que cerca de 40% delas levando à beira dos rios. Outros 10% das estradas terminam nos geoglifos e em outras grandes estruturas de terra escavada e batida. A BBC News entrevistou o professor Alceu Ranzi, do Instituto Geoglifos da Amazônia, e quem descobriu as estruturas durante uma viagem de avião, que explicou sobre os estudos, a civilização Aquiry e os geoglifos.