SAF do Guarani: entenda o que será votado nesta sexta-feira

admin
2 Oct, 2026
SAF do Guarani: entenda o que será votado nesta sexta-feira Associados decidirão se autorizam a criação da empresa que poderá controlar o futebol A urna tratará somente da autorização para transformar o departamento em SAF. Campinas, SP, 02 (AFI) – Os associados do Guarani irão às urnas nesta sexta-feira (2) para decidir se autorizam a criação da Sociedade Anônima do Futebol. Apesar da importância da assembleia, a votação não entregará o controle do clube a Roberto Graziano nem aprovará os investimentos bilionários apresentados pelo empresário. A proposta de aquisição de 90% da SAF foi retirada antes da conclusão do processo. Com isso, os sócios responderão apenas se concordam ou não com a transformação do futebol bugrino em uma empresa. A assembleia será realizada em formato híbrido, com participação presencial no ginásio do Brinco de Ouro e votação virtual. A primeira chamada está marcada para as 15h30, a segunda para as 16h, e as urnas permanecerão abertas até as 20h. O que será votado? A pergunta central será se o Guarani deve constituir uma Sociedade Anônima do Futebol. Se a criação for aprovada, o clube passará a ter autorização para estruturar uma empresa destinada à gestão do departamento de futebol. Essa empresa poderá, posteriormente, receber investimentos e ter parte de suas ações vendida. São necessários os votos favoráveis de dois terços dos associados participantes para que a transformação seja autorizada. A aprovação, portanto, abre o caminho jurídico para a SAF, mas não define quem controlará a empresa. O que não será votado? Os associados não votarão nesta sexta-feira: - a venda de 90% da SAF para Roberto Graziano; - o investimento total de R$ 1,075 bilhão; - a construção do novo estádio; - o projeto imobiliário para a área do Brinco de Ouro; - a construção de um novo centro de treinamento; - o pagamento de até R$ 350 milhões do passivo; - a transferência imediata do comando do futebol. Nenhum desses pontos será automaticamente aprovado caso a criação da SAF receba o aval dos sócios. Por que a proposta foi retirada? Roberto Graziano decidiu retirar a oferta depois de questionamentos apresentados por associados e conselheiros durante as reuniões realizadas nesta semana. As dúvidas envolviam alterações feitas no contrato durante as negociações, principalmente em pontos relacionados às garantias e às multas previstas para o descumprimento do acordo. Parte dos associados argumentou que a versão modificada deveria voltar ao Conselho Deliberativo antes de ser submetida à votação final. Havia o temor de que a aprovação sem um novo parecer pudesse provocar uma disputa judicial. Para evitar esse risco, Graziano retirou formalmente a proposta e decidiu reiniciar o rito previsto no estatuto. O que previa a oferta? A versão retirada possuía 83 páginas e previa um pacote total de R$ 1,075 bilhão. O valor não representava um depósito imediato na conta do Guarani. A quantia estava dividida da seguinte maneira: - R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social; - R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio; - R$ 25 milhões para um novo centro de treinamento; - até R$ 350 milhões para o passivo incluído na Recuperação Judicial. Pelo desenho apresentado, o grupo de Graziano ficaria com 90% da SAF, enquanto a associação Guarani Futebol Clube manteria os outros 10%. Também estava prevista a exploração imobiliária da área do Brinco de Ouro, com a construção de aproximadamente 1.200 apartamentos. A nova arena seria erguida em outro local, dentro de um prazo estimado de dois a três anos após a obtenção das autorizações necessárias. Nada disso estará em votação nesta sexta-feira. Graziano desistiu do Guarani? A retirada da proposta não significa, até o momento, o encerramento das negociações. A expectativa é que o grupo apresente uma nova versão da oferta depois de avaliar os pedidos feitos pelos representantes do Guarani. Quando o novo documento for formalizado, todo o processo terá de ser repetido. O Conselho Deliberativo precisará analisar o contrato e emitir um novo parecer. Depois disso, deverão ser convocadas três assembleias para discussão e uma quarta para votação. A estimativa é de que o novo rito consuma aproximadamente mais um mês. O associado que votar pela criação da SAF nesta sexta, portanto, não estará aprovando Roberto Graziano. Estará autorizando a existência da empresa que poderá ser negociada com ele ou até com outro investidor no futuro. O que acontece se a SAF for aprovada? O Guarani poderá iniciar os procedimentos legais para constituir a nova empresa e separar formalmente a operação do futebol das demais atividades da associação. A venda de ações, porém, dependerá de uma nova proposta, da aprovação do Conselho Deliberativo e de outra votação dos associados. Até que todas essas etapas sejam cumpridas, o futebol continuará sob o comando da atual estrutura do clube. E se a criação for rejeitada? Caso a proposta não alcance os dois terços necessários, o Guarani não poderá avançar com a venda nos moldes apresentados. Sem a constituição da SAF, não haverá uma empresa para transferir os 90% pretendidos pelo grupo de Graziano. Nesse cenário, uma futura negociação exigiria uma nova tentativa de aprovação da transformação ou a busca por outro modelo de investimento compatível com a estrutura associativa. Futebol aguarda definição A demora já interfere no planejamento para 2027. O Guarani está sem calendário profissional até o Campeonato Paulista, possui jogadores em fim de contrato e cedeu o técnico Umberto Louzer ao Criciúma até o encerramento da Série B. A diretoria precisa decidir quem permanecerá, quais contratos serão renovados e quem comandará a reconstrução do elenco. A futura SAF poderia assumir essas escolhas, mas o reinício do processo empurra novamente as definições. A votação desta sexta será histórica, mas não terá o desfecho que muitos torcedores esperavam. O associado decidirá se abre a porta para a SAF. Quem entrará por ela, quanto investirá e qual parte do Guarani receberá continuam sendo perguntas sem resposta.