Waze: a história do mapa colaborativo

admin
2 Oct, 2026
No ano de 2006, o engenheiro de software Ehud Shabtai criou o projeto FreeMap Israel , que tinha seu mapa abastecido por registros de usuários que trafegavam por diferentes localidades do país. As informações eram descarregadas offline no editor de mapas, onde se conectavam as novas vias identificadas e dava vida a um mapa digital israelense, que era totalmente gratuito. Se no começo havia apenas algumas centenas de motoristas, em dois anos, o FreeMap chegou a 2,5 mil colaboradores, além de ter ganhado um novo nome: Linqmap. Em 2009, o número de usuários editores já era de 17 mil. Em meio a um novo recorde, mais uma vez, a plataforma foi renomeada, passando a se chamar Waze . Em maio daquele ano, a aplicação chegou aos EUA e foi disponibilizada globalmente seis meses depois, compatível com os sistemas Android, iOS, Symbian e Windows Mobile. A dinâmica de funcionamento era a mesma: mapas desenhados a partir de trajetos de motoristas. Para incentivar a inserção de dados, a empresa apostou na gamificação e criou os chamados Road Goodies. Ao longo do deslocamento, o motorista encontrava doces, presentes, martelos, cerejas e outros objetos na plataforma, que rendiam pontos e faziam o aplicativo ficar cada vez mais parecido com o Pac-Man. Em 2013, o Waze foi comprado pelo Google por aproximadamente US$ 1,13 bilhão. Novas funcionalidades Desde os seus primórdios, o Waze sempre teve o apoio de seus usuários, e isso trouxe novas funções. Em 2011, por meio de uma parceria com a KABC News, de Los Angeles (EUA), o app passou a ter alertas em tempo real, algo que é disponibilizado até hoje. Na ocasião, havia a possibilidade de uma rodovia do estado ser fechada para obras, e as empresas se juntaram para avisar os motoristas. Contribuição com a FEMA ficou conhecida por Carmageddon. Waze/Reprodução. Outra funcionalidade ganhou corpo no ano seguinte. Após a passagem do furacão Sandy por Nova Jersey e Nova York, usuários do aplicativo começaram a identificar postos com combustível disponíveis por meio do ChitChat. A ação, segundo o Waze, ajudou a Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA, na sigla em inglês). O recurso, que permitia comentários em alertas, no entanto, foi extinto em março de 2026. O motivo estava ligado ao uso inadequado da função e ao excesso de spam. Fenômeno brasileiro No Brasil, a ferramenta ganhou uma versão em português apenas em 2012, embora já tivesse uma base de 400 mil usuários, sendo 15 mil ativos nos horários de pico. Já no mundo, 19 milhões de pessoas usavam o Waze. Na ocasião, Uri Levine, um dos responsáveis por diversas tecnologias do app, revelou que almejava alcançar 1 milhão de usuários brasileiros naquele ano — algo que se concretizou — e 3 milhões em 2013. Ainda em 2012, a empresa resolveu incluir anunciantes e exibi-los aos brasileiros a partir da localização. Em 2014, só no Rio de Janeiro, eram 500 mil pessoas usando a aplicação e, em São Paulo, 1,5 milhão. Naquele mesmo ano, a plataforma anunciou o Waze for Cities, um programa lançado no país para ajudar cidades a monitorar congestionamentos, acidentes, interdições e outros problemas nas vias de dez cidades brasileiras. Cinco anos mais tarde, a iniciativa contava com mais de 1 mil parceiros no mundo. Sua funcionalidade mais recente, lançada no Brasil em julho de 2026, é a opção de indicação das melhores rotas para motociclistas. O novo recurso alerta caso a via tenha lombadas, buracos, faixas de pedestres elevadas, fim de acostamento, pontes estreitas ou outros perigos, por exemplo. Dinâmica atual O número de editores voluntários, de acordo com o Google (atual dono do app), passa dos 30 mil. Já o número de usuários globais é de 590 milhões (dado referente a julho deste ano). São mais de 10 milhões de reports dos usuários todos os meses e, no Brasil, mais de 600 parceiros para cidades contribuem para as atualizações no app. E todos seguem ganhando pontos ao completarem trajetos, enviarem alertas ou modificarem o mapa, tanto de forma automática quanto manual.