Porsche volta atrás e traz Macan a gasolina de volta em 2028

admin
4 Oct, 2026
A Porsche está recalculando a rota da eletrificação e, embora o novo CEO Michael Leiters rejeite a ideia de que a marca esteja ficando contra os carros elétricos, os motores a combustão voltaram a ganhar bastante espaço nos planos da fabricante. Em entrevista ao Financial Times, o executivo confirmou que o Macan voltará a ter uma versão a gasolina em 2028, convivendo com o atual elétrico, dentro de uma estratégia que pretende oferecer diferentes tipos de motorização conforme a procura de cada mercado. A mudança representa uma correção importante em relação aos planos anteriores da Porsche, que havia transformado a atual geração do Macan em exclusivamente elétrica e projetava uma transição bem mais rápida para modelos a bateria. Leiters, porém, insiste que a nova direção não significa abandonar os elétricos, mas encontrar um equilíbrio entre as duas tecnologias depois de a fabricante perceber que parte de seus clientes ainda não está pronta para deixar os motores a combustão. Macan a gasolina volta em 2028 Ao Financial Times, Leiters rebateu diretamente a interpretação de que seria um cético em relação aos elétricos. “Acho que isso é injusto”, afirmou o executivo, que descreve sua estratégia mais como uma recuperação da oferta a combustão do que como uma retirada dos investimentos feitos em carros a bateria. Essa nova filosofia ficará especialmente clara no Macan, que voltará a ser oferecido com motor a combustão a partir de 2028, alguns anos depois de a Porsche ter transformado sua segunda geração em um SUV exclusivamente elétrico. A ideia é manter as duas alternativas simultaneamente, permitindo que o cliente escolha entre gasolina e bateria sem obrigar toda a gama a seguir uma única direção. Leiters reconhece, no entanto, que a Porsche precisa tomar cuidado para não transformar essa flexibilidade em uma duplicação cara de projetos. “Precisamos ter cuidado para garantir que a empresa não faça um investimento duplo em modelos a gasolina e elétricos no mesmo segmento”, explicou, numa referência aos custos de desenvolver produtos diferentes para públicos que muitas vezes disputam a mesma faixa de mercado. Ainda assim, o executivo acredita que existe espaço suficiente para recuperar a oferta tradicional da marca. “Precisamos recuperar nossa estratégia a gasolina, mas estou muito otimista de que, quando tivermos o Macan com motor a combustão, teremos uma oferta muito equilibrada para nossos clientes entre carros elétricos e a gasolina”, disse Leiters. Foto de: Motor1 Brasil Porsche apostou forte demais nos elétricos A correção de rota acontece depois de a Porsche enfrentar dificuldades justamente em alguns dos mercados nos quais esperava crescer com maior rapidez. De acordo com os dados citados pela reportagem, as vendas do Macan elétrico recuaram 40% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período anterior, enquanto as entregas da Porsche na China caíram 32%. A revisão também chegou à estrutura da empresa, com um acordo para eliminar cerca de 9 mil postos de trabalho até 2035 e o encerramento de negócios ligados a bicicletas elétricas, baterias e software. Leiters relacionou essas medidas à necessidade de tornar a operação mais eficiente diante do cenário atual, afirmando ao Financial Times que, “com um ambiente difícil, precisamos repensar nosso modelo de negócios e a escala da nossa organização”. A Porsche também levantou aproximadamente € 1 bilhão, cerca de R$ 5,9 bilhões na conversão atual, com a venda de suas participações na Bugatti Rimac e no Rimac Group, liberando recursos enquanto redefine quais projetos continuarão recebendo investimentos. CEO da Porsche, Dr. Michael Leiters, e CFO, Dr. Jochen Breckner Foto de: Porsche Para Leiters, esse conjunto de decisões não representa uma rejeição aos elétricos, mas uma tentativa de impedir que a marca continue gastando acima do necessário numa transição que avançou mais devagar do que inicialmente previsto. O CEO também defende que a disputa entre tecnologias precisa acontecer em condições mais equilibradas, em vez de tratar carros elétricos e a combustão como lados opostos de uma questão ideológica. “Se tivermos condições iguais para competir, não precisaremos temer nenhum concorrente”, afirmou. 718 elétrico continua nos planos Mesmo com a volta do Macan a gasolina, a Porsche não abandonou os projetos elétricos que considera adequados para determinados segmentos, entre eles a próxima geração da família 718. O sucessor de Cayman e Boxster continua sendo desenvolvido como um esportivo movido a bateria, mostrando que a nova estratégia não prevê uma solução única para todos os modelos. Na visão de Leiters, um segmento pode migrar para os elétricos enquanto outro continua dependendo dos motores a combustão, de acordo com aquilo que seus compradores realmente procuram. Para diminuir os custos dessa estratégia, a Porsche também deverá recorrer com maior frequência às tecnologias desenvolvidas pelo Grupo Volkswagen, evitando assumir sozinha todo o investimento necessário para novas plataformas e componentes elétricos. 911 elétrico continua fora de questão Existe, porém, uma exceção que Leiters não parece disposto a colocar em discussão, já que o executivo voltou a confirmar que o 911 não ganhará uma versão totalmente elétrica. A posição reforça aquilo que a Porsche já vinha dizendo havia alguns anos e deixa seu modelo mais tradicional separado da estratégia adotada para carros como Macan e 718. Isso não significa que o 911 permanecerá completamente distante da eletrificação, pois o Carrera GTS já utiliza um sistema híbrido que combina o motor a combustão com assistência elétrica. A Porsche, entretanto, também vem descartando uma configuração híbrida plug-in, argumentando que o conjunto exigiria bateria e componentes maiores, aumentando dimensões e peso justamente num esportivo em que esses fatores têm importância especial. Leia mais Porsche planeja novo 8-cilindros de um jeito que ela conhece bem Porsche 935 Flachbau: brecha no regulamento deu origem a uma lenda das pistas Adeus, Bugatti: marca deixa o Grupo Volkswagen; entenda Porsche transforma GT2 RS em um 935 Flachbau moderno. E ficou incrível