Ética do Corinthians marca oitivas sobre contratação de empresas de segurança para Osmar Stabile

admin
5 Oct, 2026
Ética do Corinthians marca oitivas sobre contratação de empresas de segurança para Osmar Stabile A Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians agendou para o dia 13 de outubro, uma terça-feira, às 19h10, uma série de oitivas na sequência do processo interno que analisa a contratação de empresas de segurança durante a gestão do presidente Osmar Stabile. A informação foi divulgada inicialmente pela Central do Timão e confirmada pelo Meu Timão. Conforme apurado pela reportagem, o órgão, presidido por Leonardo Pantaleão, convocou o presidente Osmar Stabile, Fábio Soares, então diretor administrativo, e Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, responsável pela Mega Assessoria Operacional Ltda., para a audiência, que será realizada virtualmente. O procedimento analisa questões relacionadas à contratação das empresas Bear Security e Mega Assessoria Operacional Ltda. Osmar Stabile, na condição de representado, poderá apresentar defesa oral ou escrita, além das provas que considerar pertinentes. Fábio Soares foi convocado para prestar esclarecimentos sobre os fatos e as providências administrativas relacionadas às contratações investigadas. Já Fernando José da Silva deverá esclarecer aspectos relacionados à contratação da empresa, aos serviços prestados e aos demais fatos que integram o procedimento. Além das oitivas, a CE solicitou a Nilo Mesquita Patussi, advogado do setor de compliance do clube, que encaminhe aos autos, no prazo de cinco dias a contar do recebimento da solicitação, eventual avaliação de integridade ou manifestação equivalente referente à Mega Assessoria, acompanhada da documentação correspondente, caso existente. Caso Mega Assessoria Operacional Ltda. Em maio de 2026, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor Cássio Roberto Conserino, iniciou uma investigação que apura possíveis irregularidades na contratação de empresas responsáveis por serviços de segurança no Corinthians durante a gestão do presidente Osmar Stabile. Inicialmente, o Ministério Público concentrou as apurações na atuação da Mega Assessoria Operacional Ltda., responsável pelos serviços de segurança do clube entre setembro e outubro de 2025. Segundo o promotor Cássio Conserino, a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar no ramo de segurança privada, exigência prevista na legislação, além de não haver contrato formal firmado com o clube para a prestação dos serviços. Ao todo, foram emitidas três notas fiscais que somam R$ 676,6 mil. A Mega Assessoria foi aberta em nome de Fernando José da Silva, então gerente operacional do clube social e que passou a trabalhar gerente do CT Dr. Joaquim Grava posteriormente. Em depoimento, o funcionário afirmou que criou a empresa a pedido do então diretor administrativo Fábio Soares, com o objetivo de viabilizar o pagamento dos profissionais de segurança contratados pela gestão. O MP, porém, apura se a estrutura foi utilizada para burlar as regras de contratação do clube. Em junho de 2026, após o avanço da apuração sobre a Mega Assessoria Operacional, o MP-SP incluiu Osmar Stabile na lista de investigados. Segundo o Ministério Público, a decisão ocorreu após o depoimento de Fábio Soares, que teria afirmado que a contratação da empresa foi realizada a pedido do presidente. A promotoria também passou a analisar a participação de Stabile na contratação da empresa e outros documentos relacionados ao caso. Na sequência das investigações, o presidente do Corinthians encaminhou sua defesa por escrito. Inicialmente, Osmar Stabile havia se comprometido a apresentar o documento após a primeira oitiva, mas o prazo não foi cumprido. Cabe destacar que não houve depoimento por videoconferência. O caso seguiu em tramitação no MP-SP, que também ouviu outras testemunhas. Caso Bear Security Paralelamente, o Ministério Público aprofundou as investigações sobre a Bear Security. Em agosto, a promotoria passou a solicitar documentos ao Corinthians relacionados à contratação da empresa, incluindo o contrato firmado, o expediente administrativo que autorizou a contratação, os dados dos profissionais que atuavam na segurança de Stabile e as escalas de trabalho. O MP-SP também questionou quais providências foram adotadas pelo clube diante da ausência de autorização da Polícia Federal para a atuação da empresa no segmento de segurança privada. Conforme revelou o Sport Insider e publicou o Meu Timão, a Bear Security tinha o Corinthians como único cliente e recebeu cerca de R$ 587 mil do clube por meio da emissão de 12 notas fiscais. Em setembro, o caso ganhou um novo capítulo. O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stabile à Justiça por suposta apropriação indébita relacionada à contratação da empresa. Segundo a denúncia, o clube do Parque São Jorge teria desembolsado R$ 721.194,66 para a Bear Security entre julho de 2025 e agosto de 2026. A promotoria sustenta que os serviços teriam sido utilizados em benefício pessoal do presidente e, possivelmente, de seus familiares. Na denúncia, Cássio Conserino também apontou que a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar como segurança privada. O MP-SP pediu ainda o bloqueio de bens de Stabile no valor de R$ 721 mil e solicitou à Justiça uma série de medidas cautelares, entre elas o afastamento do dirigente de suas funções no Corinthians, a proibição de acesso às dependências do clube e de contato com testemunhas e dirigentes, além de restrições para viagens nacionais e internacionais. Os pedidos ainda dependem de decisão judicial. O Corinthians, por sua vez, defendeu que a contratação da Bear Security ocorreu em razão dos riscos à integridade de Osmar Stabile e de seus familiares durante o exercício da presidência. O clube ainda sustenta que a medida foi tomada em um período de instabilidade política, após o impeachment de Augusto Melo, e que a contratação seguiu os trâmites internos previstos. A defesa também afirma que a segurança foi contratada em razão do cargo ocupado por Stabile, e não para atender interesses particulares do dirigente. O Corinthians ainda informou que os valores pagos estavam dentro dos preços praticados pelo mercado e que pretende colaborar integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.