Itália conclui experimento para definir características dos neutrinos
6 Oct, 2026
Itália conclui experimento para definir características dos neutrinos Partículas subatômicas estão no centro do Nobel de Física em 2026 O experimento italiano "Cuore", dedicado a estudar os neutrinos, partículas subatômicas que atravessam a matéria sem deixar rastro e que estão no foco do Prêmio Nobel de Física em 2026, encerrou oficialmente seu programa científico. Instalado nos Laboratórios Nacionais do Gran Sasso, do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália (INFN), o projeto começou em 2017 e reuniu uma colaboração internacional. O objetivo central era investigar a existência da chamada partícula de Majorana, a antipartícula do neutrino, cuja existência foi proposta nos anos 1930 pelo físico italiano Ettore Majorana, mas nunca confirmada experimentalmente. Para isso, o Cuore utilizou um instrumento com mais de uma tonelada de cristais de telúrio, resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto (cerca de -272°C). "O Cuore foi um grande sucesso científico e também representou uma extraordinária façanha tecnológica", afirmou Carlo Bucci, pesquisador do INFN e coordenador do projeto. "Um resultado que, no momento da concepção do experimento, parecia extremamente ambicioso e exigiu o desenvolvimento de soluções inovadoras em criogenia e instrumentação", acrescentou. Segundo os pesquisadores, o experimento permitiu definir com grande precisão características até então desconhecidas dos neutrinos e ajudou a orientar o desenvolvimento de novos projetos voltados a compreender os segredos das partículas elementares que compõem o universo, incluindo a enigmática matéria escura. "Com a conclusão do programa científico, o Cuore deixa como legado não apenas uma extraordinária quantidade de dados e resultados, mas também um patrimônio de tecnologias, competências e inovações que continuarão a ser desenvolvidas nas futuras gerações de experimentos criogênicos", concluiu Ezio Previtali, diretor dos Laboratórios Nacionais do Gran Sasso. A notícia chega no mesmo dia em que a Real Academia de Ciências da Suécia laureou o belga Francis Halzen com o Nobel de Física por suas pesquisas relativas aos neutrinos. O cientista foi determinante para o surgimento do IceCube, maior observatório dessas partículas esquivas no mundo e que consiste em uma estrutura de um quilômetro cúbico de gelo equipada com sensores de luz, capaz de capturar neutrinos originados em processos extremamente energéticos no universo distante. .