Renault Duster completa 15 anos, mas já sente o peso da idade

admin
11 Oct, 2026
Renault Duster completa 15 anos, mas já sente o peso da idade SUV que ajudou a marca francesa a ganhar espaço no mercado brasileiro mantém robustez e bom espaço interno; brilho já tinha sido ofuscado antes das chinesas Quando chegou ao mercado brasileiro, em outubro de 2011, o Renault Duster encontrou um segmento de SUVs compactos ainda em formação. O protagonista era bem definido: o Ford EcoSport. A receita da marca francesa, no entanto, foi apostar em um utilitário de visual robusto, com bom espaço interno e capacidade para encarar pisos ruins, além de oferecer, em algumas configurações, tração nas quatro rodas. Quinze anos depois, porém, o cenário é completamente diferente. O Duster continua em produção (no Paraná) e à venda, mas há tempos perdeu o protagonismo que conquistou no início da década passada. Hoje, apesar das atualizações, deixa claro que é um produto de outra época. Começo de tudo O sucesso inicial foi expressivo. O modelo alcançou quase 4.000 unidades vendidas em novembro de 2011 - seu primeiro mês cheio. O número foi bem maior do que o registrado pelo Ecosport, com pouco mais de 2.700 registros no período. Ao longo de sua trajetória, o Duster também ganhou importância internacional para a Renault e para a Dacia, marca romena responsável pelo desenvolvimento do projeto. Em síntese, o SUV não é apenas mais um utilitário para a Renault, mas o produto que ajudou a estabelecer a fabricante em um segmento que se tornaria um dos mais importantes da indústria automotiva mundial. Sua principal transformação ocorreu em 2020, quando recebeu a segunda geração. Sem mudanças drásticas, o desenho foi modernizado, o interior ficou mais sofisticado e a lista de equipamentos cresceu. Entre os recursos incorporados estavam central multimídia de 8 polegadas, câmeras com visão em 360 graus e alerta de ponto cego. A Renault também abandonou o antigo motor 2.0 e passou a oferecer o 1.6 aspirado, de 120 cv, inicialmente associado a câmbio manual de seis marchas ou automático CVT. Alterações pontuais, mas necessárias para não ter o brilho apagado definitivamente. O problema É justamente aí que aparece o principal problema do Duster atualmente. Mesmo depois da renovação de 2020, o modelo permaneceu visualmente próximo daquilo que era na década anterior. A identidade robusta continuou sendo uma de suas marcas, mas deixou de ser suficiente para diferenciá-lo em um mercado que passou a valorizar cada vez mais design, conectividade, bom acabamento e sistemas de assistência à condução. A chegada do motor 1.3 turbo, posteriormente (usado até hoje), trouxe fôlego à linha e elevou o desempenho, mas não alterou a percepção de que o projeto como um todo envelheceu diante da concorrência. Afinal, o mercado brasileiro de SUVs compactos cresceu e ganhou uma quantidade de opções que não existia quando o Duster estreou, como Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Jeep Renegade e por aí vai. Sem contar o Volkswagen T-Cross, que passou a ser o mais vendido da categoria por aqui, e a chegada avassaladora da segunda invasão chinesa, que deixou tudo ainda mais difícil para o veterano. Hoje, o Duster parte de R$ 131.990 e chega a R$ 171.990, dependendo da versão. Ainda conserva qualidades, como espaço interno e robustez, mas está longe de oferecer vasto conteúdo tecnológico, sofisticação, tampouco sistema híbrido ou elétrico, como o cliente atual procura. Porém, lá fora, o SUV - que já está na terceira geração, nunca oferecida aqui - tem até versão híbrida plena, que une motor a gasolina e dois propulsores elétricos (um é gerador) com potência combinada superior a 150 cv. Em resumo, o Duster, que chegou para desafiar o EcoSport em uma época em que os utilitários compactos ainda buscavam espaço, tornou-se parte da história dessa categoria. Só que, aos 15 anos, já não consegue provocar impacto. Se mantém um produto competente e com tradição, mas a falta de renovação o deixa em uma posição cada vez mais desfavorável. É tanto que, hoje, vende média de 1.300 unidades por mês. Pouco, mas o número é superior ao do irmão Boreal, que é um excelente produto, mas ainda não caiu nas graças do público. LEIA MAIS: Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.