Salão de Paris: Renault surpreende e resgata a minivan com tela curva de 1,13 m

admin
12 Oct, 2026
A Renault decidiu olhar para um tipo de carro que praticamente desapareceu das concessionárias. Em pleno domínio dos SUVs, a fabricante francesa apresentou no Salão de Paris 2026 o E-Space Concept, uma minivan elétrica de seis lugares que recupera a proposta do Espace original, lançado em 1984. O modelo tem um interior completamente modular, bancos que giram para transformar a cabine em uma sala de convivência e uma enorme tela curva de 1,13 metro de largura, tecnologia que já está confirmada para futuros carros de produção. A fabricante francesa afirma que o E-Space Concept não antecipa diretamente um novo modelo e tampouco será o substituto do Espace atual, que adotou características de SUV. É uma explicação habitual quando as marcas apresentam estudos de design, embora muitos desses projetos acabem influenciando veículos de produção alguns anos depois. Neste caso, chama atenção a possibilidade de a Renault voltar a oferecer uma minivan tradicional, eventualmente convivendo com o Espace atual. Por enquanto, essa é apenas uma hipótese, mas a própria proposta do conceito mostra que a marca continua enxergando espaço para um automóvel familiar diferente dos SUVs. Renault E-Space Concept Foto de: Motor1 Brasil Para o consumidor brasileiro, o projeto também desperta algumas lembranças. A Renault teve participação importante no mercado nacional de minivans com o Scénic, produzido no Brasil a partir de 1999. Durante muitos anos, esse tipo de carro foi uma alternativa interessante para famílias que precisavam de espaço, posição de dirigir elevada e versatilidade, mas não necessariamente queriam um utilitário esportivo. O E-Space recupera justamente essas características, agora com uma arquitetura elétrica e soluções de aproveitamento interno que seriam difíceis de reproduzir em um veículo convencional. Visual: uma minivan de verdade O E-Space Concept mede 4,70 metros de comprimento, 2,02 metros de largura e 1,67 metro de altura. São dimensões que o colocam próximo de SUVs médios e grandes, mas suas proporções são bastante diferentes. A carroceria tem uma linha de cintura baixa, grandes superfícies envidraçadas e um perfil que prioriza o aproveitamento do espaço interno, recuperando a proposta de um veículo desenvolvido a partir das necessidades dos passageiros. O desenho também faz referências ao primeiro Espace. O para-brisa parece uma continuação do capô, formando um perfil bastante inclinado que remete ao formato das minivans francesas dos anos 1980. As rodas de 23 polegadas ficam próximas das extremidades da carroceria, permitindo balanços curtos, enquanto a altura relativamente baixa e a distância reduzida em relação ao solo reforçam a diferença para um SUV convencional. Conceito Renault E-Space 2026 Foto de: Renault Na dianteira, a Renault utiliza uma nova assinatura luminosa em formato de U, que percorre toda a região frontal e envolve o logotipo iluminado. A traseira tem linhas verticais, privilegiando o volume interno, e um spoiler integrado à parte superior da carroceria. Há também soluções aerodinâmicas, como um elemento móvel na parte inferior do para-choque dianteiro, que pode se aproximar do solo em velocidades elevadas para reduzir a resistência ao ar. A Renault afirma que a arquitetura do conceito foi inspirada em princípios de design e até na aviação, buscando criar uma carroceria visualmente leve. As grandes superfícies de vidro, que avançam pelo teto e pelas laterais, fazem com que a cabine pareça uma estrutura transparente apoiada sobre a parte inferior do veículo. É uma interpretação moderna de uma característica que sempre diferenciou as minivans: a sensação de espaço e luminosidade para todos os ocupantes. Interior: seis lugares e uma sala de estar A cabine é a parte mais interessante do E-Space Concept. O acesso acontece por grandes portas de abertura oposta, sem coluna central, revelando um interior com piso completamente plano e seis bancos individuais distribuídos em três fileiras. Todos os assentos têm o mesmo desenho e dimensões, mas podem assumir diferentes configurações de acordo com a utilização do veículo. Os bancos da segunda fileira conseguem girar 180 graus, ficando voltados para os passageiros da terceira. A disposição lembra os antigos compartimentos de trens europeus, nos quais os ocupantes viajam frente a frente. Também é possível rebater completamente os assentos centrais para formar uma mesa, criando um ambiente de convivência para quatro pessoas. A Renault desenvolveu ainda um console móvel que percorre a região central da cabine e reúne funções bastante incomuns em um automóvel. Entre elas estão um purificador de ar, uma pequena geladeira, controles para videogames e até um jogo de tabuleiro. Os passageiros também encontram telas de 12,3 polegadas instaladas nas costas dos bancos dianteiros, além de mesas individuais retráteis. Naturalmente, várias dessas soluções fazem parte da liberdade criativa de um carro-conceito e precisariam ser adaptadas às exigências de segurança antes de chegar às ruas. Ainda assim, elas mostram como uma arquitetura elétrica pode ampliar as possibilidades de aproveitamento do espaço interno, especialmente quando o projeto deixa de seguir as proporções tradicionais de um SUV. Os bancos têm estrutura visualmente leve e acabamento inspirado em móveis residenciais. A Renault utiliza tecidos, superfícies metálicas e uma combinação bastante ousada de tons de vermelho, púrpura e coral. O carpete tem 3 centímetros de espessura, enquanto detalhes do acabamento utilizam materiais de origem natural, como palha tingida e lã. O teto panorâmico ocupa praticamente toda a área superior da cabine e recebe iluminação integrada. A proposta é criar um ambiente confortável e iluminado, com uma experiência que se aproxima mais de uma sala de estar do que de um interior automotivo convencional. Renault Media Tela curva de 1,13 metro chegará aos próximos Renault Entre as tecnologias apresentadas, a que tem maior importância para os futuros modelos da Renault é o sistema OpenR Panorama. Trata-se de uma tela curva que percorre praticamente toda a largura do painel, de uma coluna à outra, com 1.130 mm de comprimento e 110 mm de altura. Diferentemente de algumas soluções utilizadas atualmente por fabricantes de luxo, essa tela não é sensível ao toque. A Renault optou por posicioná-la próxima à linha de visão do motorista, permitindo consultar informações sem desviar tanto os olhos da estrada. O sistema substitui o quadro de instrumentos tradicional e também pode apresentar conteúdos para o passageiro dianteiro. Os comandos ficam concentrados em duas telas menores e flexíveis, instaladas em uma estrutura que acompanha a coluna de direção. O volante tem dimensões reduzidas e utiliza tecnologia steer-by-wire, eliminando a ligação mecânica convencional entre o comando e as rodas. Isso permite maior liberdade para definir seu formato e funcionamento. O aspecto mais importante é que a Renault já confirmou a chegada do OpenR Panorama a veículos de produção. Segundo a fabricante, as próximas evoluções do Scenic e do Rafale serão as primeiras a receber a tecnologia. Portanto, embora o E-Space Concept não tenha lançamento comercial anunciado, parte de suas soluções já está sendo preparada para os próximos carros da marca. A adoção de uma tela com mais de um metro de largura também mostra uma mudança importante na apresentação dos painéis. A Renault pretende concentrar as informações em uma superfície contínua, mantendo os comandos de interação separados. É uma proposta diferente daquela encontrada em veículos que utilizam grandes centrais multimídia verticais ou várias telas independentes. Motorização elétrica e futuro do Espace O E-Space Concept foi desenvolvido como um veículo totalmente elétrico, mas a Renault não divulgou informações sobre potência, capacidade da bateria, autonomia ou desempenho. O projeto tem como principal objetivo demonstrar soluções de design, aproveitamento interno e tecnologia, sem antecipar uma configuração mecânica definitiva. A eletrificação tem papel importante nessa proposta. Sem a necessidade de acomodar um motor a combustão e uma transmissão convencional, os projetistas conseguem trabalhar com um piso plano e ampliar as possibilidades de organização dos bancos. A posição das rodas nas extremidades da carroceria também contribui para aproveitar melhor o comprimento total do veículo. A Renault utiliza o conceito para recuperar sua filosofia voitures à vivre, expressão francesa que pode ser traduzida como carros feitos para viver. É uma ideia que acompanhou modelos importantes da marca, como o Espace e o Scénic, desenvolvidos com atenção especial ao conforto dos passageiros e à versatilidade do interior. O primeiro Espace, lançado em 1984, ajudou a popularizar na Europa um formato que seria adotado por diversas fabricantes nas décadas seguintes. O modelo permaneceu associado às minivans por várias gerações, até que a Renault decidiu transformar sua proposta em um SUV. O E-Space Concept recupera as proporções originais, mas com uma interpretação adequada à era dos veículos elétricos. Oficialmente, a Renault descarta que o conceito seja uma antecipação direta de um novo carro de produção ou um substituto para o Espace atual. Isso não impede que a fabricante aproveite o projeto para desenvolver um produto com características semelhantes no futuro. Uma eventual convivência entre um SUV Espace e uma minivan elétrica seria uma maneira de atender públicos diferentes, embora não exista confirmação de que esse seja o plano. Pode chegar ao Brasil? Por enquanto, a Renault não anunciou planos de produzir o E-Space Concept ou lançar uma minivan elétrica baseada nele. Também não existem informações sobre uma eventual comercialização no Brasil. O projeto foi apresentado no Salão de Paris como uma demonstração da direção que a fabricante pretende seguir em design e tecnologia. O mercado brasileiro de minivans mudou bastante desde os tempos do Scénic. Os SUVs passaram a ocupar praticamente todo o espaço dos antigos monovolumes, enquanto os consumidores que precisam transportar seis ou sete pessoas encontram opções concentradas em utilitários esportivos de diferentes tamanhos e preços. Ainda assim, o E-Space resgata um ponto interessante. Um veículo desenvolvido prioritariamente para transportar pessoas pode oferecer vantagens importantes em espaço interno, acesso aos bancos e versatilidade, sem necessariamente precisar da altura ou da aparência de um SUV. A arquitetura elétrica amplia essas possibilidades e permite recuperar características que fizeram das minivans uma alternativa tão interessante para as famílias. Será que estamos diante da nova minivan Espace? Você gostaria de um carro como este no Brasil? Veja mais sobre a Renault Renault Boreal vira 1º carro nacional com Gemini e abre até vidro por voz Nova Renault Niagara já está em produção e chega ao Brasil em novembro Avaliação Renault Kwid Techno 2027: moderno, mas vale R$ 75.990? O Gordini está de volta: Renault R8 renasce como esportivo elétrico de 270 cv