A 100 metros debaixo da terra existe um anel de 27 km com mais de 9 mil ímãs, onde equipamentos trabalham perto de −271 °C para acelerar partículas
13 Oct, 2026
A cerca de 100 metros debaixo da terra, na fronteira entre França e Suíça, o LHC ocupa um anel de aproximadamente 27 quilômetros. O acelerador reúne mais de 9 mil ímãs, incluindo componentes supercondutores resfriados até −271,3 °C, para controlar feixes de partículas que circulam em velocidades próximas à da luz. O que existe dentro do anel subterrâneo de 27 quilômetros? O Grande Colisor de Hádrons, conhecido pela sigla LHC, é um acelerador instalado em um túnel circular próximo à cidade de Genebra. A estrutura permite que partículas percorram repetidamente o mesmo trajeto, recebendo energia antes de serem direcionadas para colisões controladas. O equipamento foi construído para investigar o comportamento da matéria em escalas extremamente pequenas. Em seu interior, dois feixes de partículas circulam em sentidos opostos, dentro de tubos separados e mantidos sob vácuo. As colisões acontecem em regiões específicas, equipadas com detectores de grandes dimensões. Por que o LHC precisa de mais de 9 mil ímãs? Partículas carregadas, como prótons, podem ter suas trajetórias alteradas por campos magnéticos. O LHC utiliza 9.593 elementos magnéticos para orientar e controlar os feixes. Entre eles estão 1.232 grandes dipolos, responsáveis por curvar o percurso, e quadrupolos que ajudam a manter as partículas concentradas. Sem esse controle, os feixes não conseguiriam acompanhar com precisão a curvatura do anel. Como os prótons atingem velocidades próximas à da luz, pequenas alterações no movimento exigem campos magnéticos intensos e estáveis. Os diferentes tipos de ímãs trabalham em conjunto para orientar as partículas até os pontos previstos de colisão. Leia também: A 46 metros de profundidade, arqueólogos encontraram um navio romano cercado por centenas de ânforas que afundaram junto com a carga há mais de 2.000 anos Como o frio de −271 °C ajuda a controlar partículas tão rápidas? Os principais ímãs do acelerador utilizam materiais supercondutores, capazes de conduzir corrente elétrica sem resistência quando mantidos abaixo de temperaturas específicas. Para atingir esse estado, o equipamento depende de um sistema criogênico, responsável por produzir e conservar temperaturas extremamente próximas do zero absoluto. O sistema de refrigeração do CERN utiliza hélio para manter os principais ímãs a aproximadamente 1,9 kelvin, ou −271,3 °C. Nessas condições, os componentes podem transportar correntes elevadas e produzir os campos magnéticos necessários para controlar os feixes. Quais equipamentos precisam trabalhar juntos para produzir as colisões? O frio extremo é apenas uma parte do funcionamento. O acelerador também depende de sistemas de ultra-alto vácuo, estruturas de aceleração por radiofrequência e detectores capazes de registrar os efeitos das colisões. Cada recurso atende a uma necessidade específica no controle das partículas. O processo reúne componentes com funções diferentes: Ímãs dipolares: curvam a trajetória dos feixes ao longo do anel. Ímãs quadrupolares: ajudam a concentrar as partículas em feixes estreitos. Hélio superfluido: mantém os principais ímãs em temperaturas extremamente baixas. Tubos sob vácuo: reduzem colisões indesejadas com moléculas de gás. Cavidades de radiofrequência: fornecem energia às partículas durante a aceleração. Detectores científicos: registram os produtos resultantes das colisões. O que os cientistas conseguem investigar com um acelerador tão grande? Quando os feixes atingem as condições desejadas, os cientistas provocam colisões em locais específicos do anel. Detectores como ATLAS e CMS registram as partículas produzidas nesses encontros. As informações ajudam a estudar componentes fundamentais da matéria e verificar previsões de modelos físicos que descrevem suas interações. O LHC reúne dimensões difíceis de imaginar: um túnel de 27 quilômetros, milhares de elementos magnéticos e equipamentos trabalhando perto do zero absoluto. Toda essa infraestrutura permite observar fenômenos em escalas microscópicas, usando uma das maiores máquinas científicas já construídas.