“Tava pra jogo”: Diretor da Globo sexualizam Deborah Secco e elogia “bund*” da atriz em mensagens a Vorcaro
15 Oct, 2026
Mensagens atribuídas a Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, e a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, trazem comentários de teor sexual sobre Deborah Secco durante uma conversa sobre o Baile da Vogue. No material divulgado, a atriz é descrita como alguém que “tava pra jogo”, enquanto o executivo escreve que só olhava para o corpo dela. Eu estava no brunch reforçado, tentando me recompor da noite lisboeta sob um calor de quase 30 graus, quando li os trechos. A ressaca até perdeu a importância, porque é revoltante ver mulheres reduzidas a comentário de mesa, como se estivessem num catálogo para avaliação de homens poderosos. Segundo as mensagens publicadas, Vorcaro comenta que Deborah estava “muito feia”, e Kachar responde: “Eu só olhava pra bunda dela”. Em seguida, os dois criticam a fantasia usada pela atriz no evento. O diálogo não mostra qualquer participação de Deborah nem confirma que ela tenha correspondido às insinuações feitas por eles. A conversa também menciona Sabrina Sato, descrita como “soltinha” em outro trecho atribuído ao executivo. Eu vou dizer com todas as letras: estar em uma festa, usar uma fantasia ou estar solteira não transforma mulher nenhuma em autorização para que homens façam suposições sobre sua vida sexual. As mensagens foram divulgadas como parte do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, investigado em apurações sobre o Banco Master. A publicação não registra manifestação pública de Deborah Secco, Sabrina Sato ou Kachar sobre os trechos. O material ainda traz convites para festas privadas e conversas sobre a cobertura jornalística do banco. Em uma das trocas, Vorcaro reclama de uma reportagem da jornalista Malu Gaspar, e Kachar responde que falaria com ela. A mensagem, isoladamente, não comprova interferência editorial, mas expõe uma proximidade que naturalmente levanta questionamentos. Ali mesmo, no brunch, eu fiquei com um gosto amargo que café nenhum resolve. Porque não é apenas uma conversa grosseira: é a certeza de que, enquanto mulheres trabalham, circulam, vivem e aparecem em público, ainda há homens que se sentem no direito de narrar seus corpos e inventar intenções para elas. Deborah Secco não deve explicação por sua roupa, por sua presença em um baile ou por uma vida pessoal que só diz respeito a ela. Quem precisa se explicar é quem aparece, nas mensagens divulgadas, tratando mulheres como se fossem personagem de uma fantasia que nunca autorizaram.