Técnico do Corinthians defende jogadores e diz preferir elenco com personalidade forte
16 Oct, 2026
Técnico do Corinthians defende jogadores e diz preferir elenco com personalidade forte Na manhã do último domingo, Clarence Seedorf foi anunciado como o substituto de Fernando Diniz no comando técnico do Corinthians. A escolha do técnico pelo executivo de futebol do clube, Marcelo Paz, ocorreu após uma série de negativas de outros treinadores e gerou questionamentos de parte da torcida por conta de seu retrospecto negativo à beira do campo e por ser dono de uma personalidade forte que poderia abalar o elenco do Timão. Em sua coletiva de apresentação, na última quarta-feira, Seedorf minimizou as preocupações e revelou que prefere contar com atletas de personalidade igualmente marcante. O técnico ainda indicou que enxerga sua função como apenas mais uma parte de um grupo de trabalho e que o processo irá exigir uma boa comunicação. "Louis van Gaal, (Fabio) Capello, (Marcello) Lippi, Ancelotti... São pessoas sem personalidade ou com personalidade? Os grupos com os quais trabalharam eram formados por jogadores com muita personalidade. Eu prefiro um grupo todo com personalidade, porque aí meu trabalho fica mais fácil. Eu não me sinto comandante, eu me sinto parte de um grupo de trabalho, com uma função. Quando eu era jogador, eu tinha uma função. Eu podia provocar algumas coisas internamente para movimentar as coisas, mas, quando o treinador falava "vamos para a direita", eu ia para a direita, mesmo pensando que tinha que ir para a esquerda, porque meu papel era esse. Hoje, eu tenho que dar direção, mas isso vai ser um processo de comunicação, de alinhamento com todo mundo. Se o grupo acredita no caminho, tudo fica mais fácil", disse o novo técnico do Corinthians. Seedorf atuou como técnico entre 2014 e 2019, acumulando passagens por Milan, da Itália, Shenzhen, da China, Deportivo La Coruña, da Espanha, e seleção de Camarões. Nos cinco anos como treinador, o holandês disputou 63 jogos, com 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas, sem nenhuma conquista e com um rebaixamento, em 2019, com o La Coruña. O técnico se mostrou um pouco incomodado com as críticas sofridas antes mesmo do trabalho começar e fez questão de deixar claro que os jogadores são, acima de tudo, pessoas, e indicou que irá blindar o elenco de comentários vindos do extracampo. "Eu não estou aqui para falar mal; sei que é bastante normal opinar sobre pessoas, julgar sem saber. Isso é normal hoje em dia, por causa desse Instagram e dessas coisas. Todo mundo tem opinião sem saber. Eu não tenho tempo para estar preocupado com o que todo mundo pensa. Para mim, a preocupação é internamente: meu trabalho com o grupo, minha relação com eles. E o primeiro impacto foi fantástico. Eu não tenho dúvida nenhuma de que a gente vai fazer um trabalho maravilhoso juntos. Porque o ser humano, para mim, vem bem antes do jogador, e o contato com o ser humano que senti nesta manhã me motiva muito. Eu vejo como o atleta está sofrendo, mas não é o atleta que sofre, é a pessoa. Tem família, tem amigos, tem críticas todo dia porque não tem resultados. Então, eu estou aqui. Eu vou estar na frente deles, atrás, do lado, porque, até que eles trabalhem lá dentro e fora como acho que têm que trabalhar, com seriedade, intensidade, disciplina e tudo mais, ninguém pode tocá-los. Isso tem que estar claro", disse Seedorf. Esta é a segunda passagem do holandês pelo Brasil. Em 2012, o ex-meia foi contratado pelo Botafogo, clube que defendeu até 2014, quando encerrou sua carreira para treinar o Milan, da Itália. Quando atuava pelo time carioca, Seedorf ficou famoso por propor algumas mudanças mais ortodoxas no dia a dia da equipe, como alterar um trecho do hino do clube e proibir o consumo de feijão antes dos jogos, pois poderia pesar nos jogadores. O treinador foi perguntado sobre sua relação com as lideranças dentro do elenco do Corinthians e se já havia começado a implementar suas ideias na equipe, mas disse ainda estar na fase de observação. Em sua opinião, uma reviravolta emocional pode ser fundamental para mudar os rumos da equipe na temporada. "Ouvi muitas declarações de como é o trabalho. Acho que sou um cara que gosta de entrar, observar e entender o que a gente precisa fazer e planejar. Depois, sou muito metódico para implementar esse planejamento. Esse grupo, mais do que da parte tática, precisa de estrutura, entender que, quando a gente defende, é dessa maneira; quando a gente ataca, é de maneira ordenada e coordenada. Mas precisamos de tempo. Temos que pensar que estamos no final do ano, a situação é muito complicada e complexa. Acho que a parte emocional pode fazer toda a diferença, vamos trabalhar muito nisso. Por isso, vamos precisar do apoio da torcida dentro do estádio, especialmente neste primeiro jogo em casa. No futebol, vi coisas mudarem de um jogo para o outro, em dez minutos. Não podemos pensar que esse grupo perdeu o talento que tem. Com certeza, não perdeu. Conhecendo os ingredientes que temos, esse vai ser o foco para tirar essa parte deles. E, quando é um leão ferido, algo que aconteceu comigo muitas vezes na minha carreira também, quem está de frente tem que ter cuidado", completou Seedorf. O novo técnico do Timão deve fazer sua estreia na próxima segunda-feira, às 20h, na Neo Química Arena, em duelo válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.