Flávio Bolsonaro ataca Lula, cita Vorcaro e muda tom na sabatina da Globo

admin
17 Oct, 2026
Flávio Bolsonaro (PL) foi à TV Globo para apresentar suas propostas, mas os ataques a Lula (PT) e os temas controversos de sua campanha também dominaram a sabatina com Renata Lo Prete, nesta sexta-feira, 16 de outubro. Ao longo de 40 minutos, o senador falou sobre economia, mudou o tom ao tratar do fim da escala 6×1, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e precisou responder a perguntas sobre o dinheiro solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Saiba tudo sobre a sabatina de Lula Além disso, o candidato defendeu o pai, questionou a atuação da Polícia Federal e prometeu respeitar o resultado das urnas caso perca a eleição. Em meio às cobranças da jornalista, porém, algumas respostas ficaram concentradas em críticas aos adversários, enquanto questões sobre valores e responsabilidades exigiram explicações mais específicas. Dívida pública: promessa de ajuste sem cortes nos pisos sociais A entrevista começou com um dos temas mais sensíveis para qualquer candidato à Presidência: como controlar a dívida pública sem comprometer serviços essenciais. Flávio afirmou que pretende manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação e não alterar a Constituição para modificar os pisos de gastos com Saúde e Educação. Para equilibrar as contas, o senador citou combate à corrupção, redução de despesas e ampliação das receitas. Também prometeu cortar ao menos dez ministérios, explorar imóveis abandonados da União, cobrar dívidas que o governo tem a receber e ampliar a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Além disso, mencionou o uso de inteligência artificial na administração pública. Tudo sobre o fim da escala 6 x 1 Ao abordar o ajuste fiscal, no entanto, Flávio preferiu direcionar parte da resposta ao adversário. “O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”, declarou, depois de acusar o petista de promover “terrorismo” sobre suas propostas para servidores e empresas estatais. A fala colocou o embate eleitoral no centro de uma pergunta que exigia detalhes sobre a execução das medidas econômicas. Embora tenha apresentado possíveis fontes de economia e receita, o candidato não detalhou, na resposta, quanto cada iniciativa poderia render nem como essas medidas se traduziriam em metas concretas para a dívida pública. Fim da escala 6×1: o que mudou na posição de Flávio A escala 6×1 também entrou na sabatina. Flávio já havia criticado a proposta, que chegou a classificar como eleitoreira e oportunista. Entretanto, na véspera da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado, mudou de posição e votou a favor nos dois turnos. Questionado por Renata Lo Prete sobre a mudança, o senador afirmou que ouviu os trabalhadores nas ruas e percebeu que eles desejavam o fim do modelo. Ao mesmo tempo, sustentou que sempre defendeu maior liberdade para organizar as jornadas de trabalho. Guito faz postagem política e enfrenta críticas Na entrevista, ele associou a redução da jornada à necessidade de melhorar outras condições de vida da população. “Durante essa sua folga você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Vai continuar dormindo preocupado porque está devendo e seu salário não está durando o mês todo […]. Além de garantir a folga, vou fazer de tudo para garantir poder de compra e mais segurança”, afirmou. Flávio também prometeu respeitar a decisão do Congresso e não tentar reverter a medida caso seja eleito. Ainda assim, a mudança de voto abre espaço para uma questão importante na campanha: como o candidato pretende conciliar sua antiga resistência à proposta com a defesa atual do direito dos trabalhadores ao descanso? Reeleição: Candidato promete um único mandato Flávio tem defendido o fim da reeleição presidencial e diz que pretende ser “presidente de um mandato só”. Diante disso, Renata Lo Prete perguntou se ele abriria mão de disputar um novo mandato mesmo que o Congresso não aprove mudanças constitucionais para acabar com a possibilidade de reeleição. O senador respondeu afirmativamente. “Eu só preciso de um mandato. Eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, declarou, antes de voltar a criticar a gestão Lula. A proposta também alcançaria parentes até o terceiro grau do presidente da República. Para justificar a ideia, Flávio afirmou que pretende demonstrar “desapego ao poder” e negou ter um projeto de permanência no governo. A promessa, entretanto, depende de como o candidato pretende formalizar esse compromisso caso a legislação continue permitindo uma nova candidatura. Na sabatina, ele garantiu que não tentaria buscar outro mandato, mesmo sem uma mudança constitucional. Críticas a Alexandre de Moraes A reforma do Judiciário apareceu como uma das prioridades da campanha de Flávio. O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inclui propostas como restringir o julgamento de processos criminais contra parlamentares no STF, reduzir decisões individuais dos ministros e limitar a atuação profissional de familiares deles em causas que tramitam na Corte. Criticada, Antonia Fontenelle ameaça processar Jenny Prioli Ao ser questionado sobre outras medidas que gostaria de adotar, o senador concentrou a resposta em Alexandre de Moraes. Flávio acusou o ministro de perseguir adversários políticos e afirmou que integrantes do Supremo estariam protegendo aliados do governo Lula. Contudo, não apresentou provas para sustentar todas as acusações feitas durante a resposta. “Temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz, como é o Alexandre de Moraes, continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos”, declarou. Na sequência, defendeu que a reforma contribua para recuperar a credibilidade do Judiciário e ressaltou que a magistratura não se resume a Moraes. Renata, então, questionou a coerência do discurso ao citar Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro e mencionado em mensagens apreendidas no celular de Vorcaro. O senador respondeu: “Todo mundo tem que estar abaixo da lei”. O trecho expôs um dos desafios da proposta: defender mudanças institucionais sem transformar a reforma em instrumento de confronto com ministros específicos. Para avaliar o alcance das medidas, também é necessário observar como elas preservariam a independência judicial e a responsabilização de autoridades, independentemente de suas alianças políticas. Explicações sobre o dinheiro de ‘Dark Horse’ Um dos momentos mais delicados da entrevista envolveu Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao escândalo do Banco Master. Flávio solicitou R$ 134 milhões ao empresário para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Mais de R$ 60 milhões teriam sido destinados ao projeto. Renata Lo Prete questionou o caminho percorrido pelos recursos e apontou que parte do dinheiro passou por um fundo nos Estados Unidos administrado por um amigo de Eduardo Bolsonaro. Ela também observou que o fundo estava inativo havia quatro anos e que não havia informações suficientes sobre o destino de todos os valores. “É um ponto importante a esclarecer: se não há nada a esconder, por que não trabalhar para que essas informações não cheguem ao conhecimento do eleitor?”, perguntou a jornalista. Flávio respondeu que a produtora brasileira prestou contas e sustentou que se tratava de um patrocínio privado para uma produção privada, sem contrapartida relacionada ao mandato de senador. A jornalista insistiu na diferença entre o valor solicitado e o custo apontado para o filme. “A perícia da própria produtora diz que o filme custou R$ 75 milhões. E o senhor pediu R$ 134 milhões ao Vorcaro. O senhor pode explicar pra gente pra que e por que a diferença?”, questionou. “Era um contrato, que não foi cumprido. E com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores nós conseguimos concluir o filme. Simples assim”, respondeu o candidato. A explicação, porém, não detalhou como a diferença entre o montante solicitado e o custo citado foi tratada nem apresentou, durante a entrevista, uma discriminação completa dos valores. O caso também ganhou relevância diante das apurações sobre a estrutura financeira do projeto, que levantaram suspeitas investigativas sobre operações ligadas ao filme. Essas suspeitas, por si só, não equivalem a uma condenação. Flávio ataca a Globo e Renata rebate Depois de responder sobre Vorcaro, Flávio comparou o financiamento de “Dark Horse” a pagamentos recebidos pela Globo para ações publicitárias relacionadas ao Banco Master, incluindo uma campanha ligada ao programa de Luciano Huck. “O que tem de errado nisso? Nada”, afirmou o candidato. Na sequência, mencionou a saída de um executivo da emissora após questões relacionadas a eventos financiados por Vorcaro. E argumentou que ele havia sofrido consequências por violar o código de ética da empresa. Renata contestou a comparação. A jornalista ressaltou que a compra de espaço comercial e o patrocínio publicitário têm natureza diferente do financiamento de uma produção cinematográfica. Também afirmou que os contratos publicitários do Grupo Globo seguem as normas do setor e devem respeitar a legislação e os critérios de transparência. Além disso, a entrevistadora questionou Flávio por trazer acusações contra Lula. Conforme ela apontou, não tiveram confirmação nem encontravam respaldo nas investigações da Polícia Federal. O embate desviou momentaneamente a conversa do financiamento do filme para a tentativa do candidato de associar o caso a práticas da própria emissora. Polícia Federal: Flávio defende o pai e acusa aparelhamento A sabatina também recuperou uma declaração de Jair Bolsonaro durante uma reunião ministerial em 2020. Na ocasião, o então presidente afirmou que não esperaria que sua família acabasse atingida antes de promover mudanças na estrutura de segurança e citou a possibilidade de trocar servidores, chefias e ministros. Renata usou o episódio para questionar se Flávio se sentia confortável em defender uma postura republicana nas nomeações da Polícia Federal, considerando as falas do pai sobre interferir na estrutura do órgão para proteger familiares. O senador argumentou que as trocas realizadas por Jair Bolsonaro tinham relação com resultados. Em seguida, acusou o governo Lula de aparelhar a instituição e afirmou que haveria “um grupo especial do Lula dentro da Polícia Federal”, sem apresentar provas durante a entrevista. Questionado sobre a possibilidade do pai ocupar um cargo no governo, caso Flávio vença, e a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado acabe anulada, o candidato afirmou que o pai nunca pediu uma posição na administração. “Eu tenho o privilégio de, na hora que eu quiser me consultar com um ex-presidente da República, eu tenho um dentro de casa, de confiança”, declarou. Flávio também descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como chanceler. Ainda assim, aproveitou a resposta para defendê-lo, chamando-o de “perseguido político” e afirmando que ele “se sacrificou para defender a democracia”. Flávio fala em ‘farsa’ e promete respeito à lei Ao abordar os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, Flávio afirmou que a história mostrará “a farsa” que, em sua avaliação, foi montada para afastar Jair Bolsonaro da vida pública. Na sequência, declarou que pretende chegar à Presidência “em nome de Jesus”. Quando Renata perguntou como os envolvidos na invasão e depredação dos prédios públicos deveriam ser tratados, o candidato respondeu que todos devem ficar “dentro da lei”. Ao mesmo tempo, ironizou a gravidade dos acontecimentos ao mencionar uma tentativa de golpe feita por “idosas com bíblia”. A resposta combinou uma promessa de respeito à legislação com críticas à forma como os episódios foram tratados politicamente. A discussão sobre o 8 de Janeiro segue como um dos pontos centrais do embate entre os campos políticos, especialmente diante das condenações e das diferentes interpretações sobre a responsabilidade dos envolvidos. Receba as notícias de OFuxico no seu celular! Lula foi o primeiro entrevistado da rodada da TV Globo, na quinta-feira (15). A ordem dos candidatos foi definida por sorteio, e cada conversa teve 40 minutos, divididos em dois blocos, além de um minuto para as considerações finais. A programação integra a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais, que terá novos confrontos entre os candidatos antes da votação. O post Flávio Bolsonaro ataca Lula, cita Vorcaro e muda tom na sabatina da Globo apareceu primeiro em OFuxico.