Nanodiamantes de qualidade inédita são produzidos com laser

admin
19 Oct, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/10/2026 Nanodiamantes Os diamantes industriais estão por aí há muito tempo, servindo sobretudo à indústria de abrasivos. Mais recentemente, contudo, começamos a falar de nanodiamantes, muito menores, mas também muito mais puros, o que fez esses diamantes artificiais microscópios entrarem por nichos de aplicação muito mais nobres, incluindo medicina, novos materiais, catálise, energia, sensores quânticos e até qubits para computadores quânticos. E todas essas áreas terão a ganhar com uma nova técnica que está permitindo, pela primeira vez, fabricar nanodiamantes ainda menores, de alta pureza e com dimensões mais homogêneas do que as técnicas tradicionais, baseadas em explosões, que não conseguem nenhuma dessas coisas. "Esperávamos que nanodiamantes se formassem nessas condições. O que nos surpreendeu, no entanto, foi a rapidez com que isso aconteceu, o que imediatamente despertou a ideia de uma possível aplicação técnica," contou o professor Dominik Kraus. A novidade agora é que a equipe demonstrou que, mesmo criados rapidamente nessas condições extremas, os nanodiamantes sobrevivem a uma transição para pressão e temperatura ambientes. Então, é só pegar os nanodiamantes, classificá-los e encontrar aplicações para eles. Compressão a laser Os experimentos foram realizados nas linhas de luz da Infraestrutura de Luz Extrema (ELI) de Praga, na Chéquia, que possui um laser com alta taxa de repetição em energias muito elevadas. Três vezes por minuto, o laser dispara pulsos de luz em uma película de PET com 100 micrômetros de espessura. Os nanodiamantes se formam dentro da onda de choque e são então ejetados da película como projéteis. O problema para fazer uso prático desses nanodiamantes consiste em coletá-los antes que eles sejam destruídos, ou pela própria onda de choque ou pelo impacto com o aparato experimental. A solução veio na forma de um cilindro metálico revestido com um material com a maciez precisamente adequada capturar os nanodiamantes. "Quando a onda de compressão atinge a extremidade da amostra, ela entra abruptamente no vácuo, acelerando os nanodiamantes a velocidades superiores a dez quilômetros por segundo, o que é comparável ao impacto de um meteorito. Para evitar a destruição imediata dos diamantes ao impactarem o cilindro de coleta, precisamos usar um meio de coleta muito macio, um gel iônico solúvel em água e compatível com o vácuo," contou Kraus. Cada disparo lança aproximadamente dez trilhões de nanodiamantes de tamanho quase idêntico dentro do cilindro, o que parece muito, mas resulta em uma massa muito pequena - a equipe produziu apenas lotes com umas poucas centenas de microgramas. Com um diâmetro médio de três bilionésimos de metro, um único nanodiamante consiste em cerca de 3.000 átomos de carbono. A equipe agora está trabalhando com um laser menor, em seu próprio laboratório, na tentativa e aumentar o volume de produção e atingir a faixa dos miligramas, uma quantidade semelhante à dos processos de produção convencionais. Diamante BC8 Além dos nanodiamantes, os cientistas agora pretendem usar o processo de compressão a laser para criar um material exótico, conhecido como BC8, uma forma de carbono que só prevista teoricamente - o BC é a sigla de body-centered, ou cúbico centrado no corpo, e o oito é o número de átomos de carbono. Com essa estrutura cúbica de oito átomos de carbono, o BC8 deverá ser mais denso que um diamante, ter dureza semelhante, ser menos quebradiço e até 30% mais resistente à compressão do que o diamante convencional. O BC8 não se forma naturalmente na Terra porque não temos as condições necessárias. Usando lasers de alta potência e pressão ainda maior, os pesquisadores pretendem produzir esse material diretamente a partir do plástico, em um processo semelhante ao da produção de nanodiamantes. Um experimento inicial está previsto para novembro.