Corinthians reforça compromisso com o RCE e garante regularidade após cobrança do MP
21 Oct, 2026
Corinthians reforça compromisso com o RCE e garante regularidade após cobrança do MP O Corinthians vive uma crise financeira, com uma dívida total próxima de R$ 3 bilhões, que afeta diferentes setores e compromissos do clube. Diante desse cenário, o Timão corre o risco de perder os benefícios do Regime Centralizado de Execuções (RCE), após atrasar os repasses referentes a julho e agosto e ser cobrado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Apesar disso, a diretoria alvinegra afirmou que adotará as medidas necessárias para preservar o acordo e cumprir suas obrigações. Em nota oficial, o clube do Parque São Jorge declarou que acompanha de perto a execução do plano e trata dos pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros e receitas vinculadas ao regime. O Corinthians também afirmou que apresentará os esclarecimentos solicitados formalmente no processo e à administração judicial. “O Corinthians acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas. Os esclarecimentos específicos a respeito dos questionamentos apresentados, incluindo valores, critérios adotados, fluxo de pagamentos, contratos, cessões de recebíveis e demais aspectos mencionados, serão prestados formalmente nos autos, com a documentação e o detalhamento necessários, assim como serão apresentados ao Administrador Judicial nos canais adequados. O Clube ressalta que mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE e sua finalidade, sempre buscando compatibilizar o cumprimento de suas obrigações com a manutenção das atividades e a recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da instituição” — veja a nota completa abaixo. Segundo a ESPN, o MP-SP estabeleceu o prazo de 15 dias para o Corinthians regularizar os pagamentos atrasados aos credores contemplados pelo acordo. Além disso, a administração judicial, conduzida pela Laspro, foi instada a cobrar do clube o depósito e o pagamento integral dos valores pendentes referentes aos rateios de julho e agosto. As pendências somam R$ 10.140.956,79, sendo R$ 2.499.657,51 relativos a julho e R$ 7.641.299,28 referentes a agosto. A cobrança prevê a regularização dos valores sob pena de revogação do benefício de suspensão das execuções individuais e retomada dos atos de cobrança judicial. Homologado em janeiro de 2026, o RCE do Corinthians reúne 40 processos cíveis em fase de execução, movidos por 23 credores, e concentra parte das pendências financeiras do clube na Justiça comum. Uma parcela significativa das dívidas está relacionada a comissões de empresários do futebol, entre eles Giuliano Bertolucci, Carlos Leite, Paulo Pitombeira e André Cury. Também estão incluídas cobranças de direitos de imagem de ex-jogadores e treinadores, como Cássio, Renato Augusto, Gil e Vanderlei Luxemburgo, além de valores relacionados a multas contratuais e compromissos com fornecedores e parceiros comerciais. Em julho de 2026, o saldo devedor do RCE passou de R$ 224,9 milhões para R$ 237,4 milhões, devido à incidência de juros. Detalhamento do leilão reverso Um dos mecanismos previstos no plano do Corinthians é o chamado leilão reverso, utilizado para destinar recursos ao pagamento de credores que aceitem receber com desconto sobre o valor atualizado de suas dívidas. Nesse modelo, os credores apresentam propostas, e aqueles que oferecem os maiores descontos podem ter prioridade no recebimento dos recursos disponíveis da dívida. O mecanismo busca permitir que o clube quite parte dos débitos por valores inferiores aos inicialmente devidos, enquanto os credores recebem os pagamentos antecipadamente em relação ao cronograma regular do plano. Na cobrança desta quarta-feira do MP-SP, foi exigida a publicação do edital do leilão reverso contemplando R$ 3.141.958,11, valor correspondente a 20% dos recursos provenientes de transferências de atletas entre fevereiro e agosto. Também foi solicitado o levantamento dos valores a serem destinados a credores específicos que apresentaram reclamações no processo. Caso o Corinthians perca os benefícios do RCE, poderá voltar a enfrentar execuções individuais que atualmente estão suspensas pela Justiça. Antes da homologação do plano, o clube enfrentou bloqueios sucessivos de valores em suas contas bancárias. Inicialmente, a diretoria alvinegra listou mais de R$ 700 milhões em dívidas judiciais que poderiam ser contempladas no regime. MP também cobra esclarecimentos sobre dívida da Arena e contrato com a Nike Outra questão que entrou na mira do Ministério Público envolve o pagamento da parcela de junho de 2026 do financiamento da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal. O órgão solicitou que o Corinthians comprove a quitação do compromisso, que teria sido realizada em 25 de junho, além de apresentar os extratos bancários da conta de origem dos recursos e as demonstrações contábeis da Arena Itaquera S.A., empresa responsável pela administração financeira do estádio. A cobrança busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos utilizados no pagamento. Caso o clube não apresente a documentação solicitada, o valor poderá ser desconsiderado na base de cálculo do RCE, com o consequente recálculo do aporte referente a junho. Em 2026, o Corinthians já havia desembolsado aproximadamente R$ 56 milhões para honrar as duas primeiras parcelas trimestrais do financiamento, cada uma próxima de R$ 28 milhões. A terceira parcela, com vencimento em setembro e valor estimado em R$ 27 milhões a R$ 28 milhões, foi suspensa temporariamente em meio às negociações com a Caixa. As partes discutem uma possível solução para a dívida da Arena, estimada em cerca de R$ 630 milhões. Entre as alternativas apresentadas pelo clube está a cessão dos naming rights do estádio à instituição financeira como parte de uma operação para quitar o débito. Na última semana, Corinthians e Caixa também formalizaram um termo de confidencialidade para avançar nas tratativas, mas ainda não há acordo definitivo para a quitação da dívida. Outro pedido de esclarecimentos envolve o contrato do Timão com a Nike, fornecedora de material esportivo. A administração judicial quer que o clube explique a classificação contábil de uma entrada de R$ 32.775.000, registrada em 31 de agosto e relacionada à empresa, que foi contabilizada como operação financeira. Por fim, também foram solicitados os instrumentos contratuais e demais documentos relacionados à operação, para que a Laspro possa analisar a natureza do lançamento e verificar sua compatibilidade com as informações financeiras apresentadas pelo clube. Confira a nota do Corinthians “O Sport Club Corinthians Paulista reforça que o Regime Centralizado de Execuções (RCE) é um instrumento de grande importância para o processo de reorganização financeira do clube e para a construção de uma solução sustentável em relação às suas obrigações. O Corinthians acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas. Os esclarecimentos específicos a respeito dos questionamentos apresentados, incluindo valores, critérios adotados, fluxo de pagamentos, contratos, cessões de recebíveis e demais aspectos mencionados, serão prestados formalmente nos autos, com a documentação e o detalhamento necessários, assim como serão apresentados ao Administrador Judicial nos canais adequados. O Clube ressalta que mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE e sua finalidade, sempre buscando compatibilizar o cumprimento de suas obrigações com a manutenção das atividades e a recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da instituição. Por fim, o Corinthians reconhece os desafios do atual cenário financeiro e segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos. O Clube entende, também, que questões dessa complexidade devem ser tratadas com responsabilidade e, por essa razão, evitará antecipar publicamente informações”, escreveu.