Uma breve (e lamentável) história das adaptações de jogos de luta no cinema

admin
23 Oct, 2026
Uma breve (e lamentável) história das adaptações de jogos de luta no cinema Resumo O primeiro videogame adaptado como filme foi "Super Mario Bros", num já longínquo 1993. Era bobinho, ligeiro e inofensivo - assim como as próprias aventuras do encanador bigodudo. A realidade nos fliperamas, contudo, era menos suave: a garotada fazia fila para experimentar a pancadaria de uma pérola batizada "Double Dragon". A trama não tinha segredo. Dois irmãos percorriam o submundo de uma cidade movida a violência para resgatar uma jovem de um chefão inescrupuloso. No caminho, socos, chutes, golpes e inimigos cada vez mais habilidosos e duros na queda. "Double Dragon" deu o gosto do que era lutar de mentirinha num game, senação logo evoluída com "Pit Fighter", Street Fighter II" e "Mortal Kombat". Milhões eram investidos em combates digitais. Hollywood, claro, estava de olho, e dos anos 1990 para cá, um punhado de filmes tentou recampurar a sensação de flexionar os músculos em duelos marciais de mentira. Com a chegada do novo "Street Fighter" aos cinemas, mergulhei na toca do coelho para separar o jogo do trigo das adaptações dos nptórios fighting games. Já aviso: não teve muito trigo não... DOUBLE DRAGON (James Yukich, 1994) Ok, o jogo não segue a definição "clássica" do gênero, mas inovou com protagonistas que aplicavam uma série de golpes nos inimigos usando uma combinação às vezes de realização impossível de botões e movimentos no joystick. O filme, pioneiro das adaptações de games, faz o máximo para equilibrar fidelidade ao jogo e algo que lembre um filme. O vilão, veja só, era um Robert Patrick pós-"Exterminador do Futuro 2". Eles tentaram. Mas "Double Dragon" é só pobre mesmo. STREET FIGHTER - A ÚLTIMA BATALHA (Steven E. de Souza, 1994) Jean-Claude Van Damme, fazendo o "americaníssimo" Coronel Guile, sequer tenta esconder o sotaque nessa adaptação desinteressante. Bizarramente, o filme se tornou uma pérola cult com seus diálogos ruins e, principalmente, seu elenco em atuações exageradas. A coroa vai para o ícone Raul Julia, que encarou o vilão Bison a pedido dos filhos e fez o possível enquanto enfrentava um câncer (foi seu último papel). É tosco, mas é também imposível trocar de canal. STREET FIGHTER II: O FILME (Gisaburô Sugii, 1994) No mesmo ano em que Hollywood eviscerou o jogo em sua versão live action, este anime desenhou uma trama surpreendentemente fiel ao game embalada numa animação elegante e dinâmica. Os protagonistas são Ryu e Ken, que enfrentam o poderoso Bison e sua organização criminosa, Shadaloo, que pretende fazer dos maiores lutadores da Terra seus escravos. Os movimentos mais emblemáticos do jogo, com zero surpresa, funcionam melhor adaptados como animação.. MORTAL KOMBAT (Paul W.S. Anderson, 1995) Antes de ter a série "Resident Evil" para chamar de sua, o diretor Paul W.S. Anderson abraçou a galhofa, colocou Christopher Lambert como um deus malaco e não fugiu do espírito over do game. "Mortal Kombat" ganha pontos ao integrar, mesmo de forma canhestra, o plot básico do game no filme: lutadores competem em um torneio interdimensional pelo futuro da Terra. Nada faz muito sentido, mas existe sempre um sorriso no canto do rosto de geral. MORTAL KOMBAT: A ANIQUILAÇÃO (John R. Leonetti, 1997) Se você filmar seus amigos brincando fantasiados de lutinha no quintal do sítio da vó, o resultado será melhor do que essa continuação inacreditável de tão tosca. Depois do sucesso moderado da aventura anterior, impressiona como o estúdio jogou seus padrões no chão e fez deste segundo "Mortal Kombat" um produto digno de algum especial do "Chaves". Fuja! DOA: VIVO OU MORTO (Corey Yuen, 2006) Quatro jovens com pinta de modelo de lingerie competem num campeonato marcial que esconde uma conspiração. A trama é uma piada, as atuações risíveis, o humor involuntário compensa. Eu honestamente fui enganado pelas credenciais do diretor Corey Yuen, veterano de "Render-se Nunca, retroceder Jamais" e "carga Explosiva". A decepção é, infelizmente, parte da vida. STREET FIGHTER: A LENDA DE CHUN-LI (Andrzej Bartkowiak, 2009) Essa produção é o manual perfeito de como NÃO fazer um filme. Qualquer filme. O diretor Andrzej Batkowiak tinha... errr.. "experiência" em adaptar um game, já que ele assina o malfadado "Doom". Deu ruim. Krintin Kreuk ("Smallville") é Chun-Li, que busca vingança pela morte do pai nas mãos de Bison (Neal McDonough. Mas esqueça o jogo: "Street Fighter" aqui é drama policial urbano. Bônus: virar um shot sempre que Chris Klein olhar para a câmera e repetir o nome de seu personagem, "Nash". A embriaguez chega rápido. TEKKEN (Dwight H. Little, 2009) Em um futuro distópico, a megacomporação Tekken mantém a ordem promovendo um campeonato que promete fama e fortuna ao vencedor. Você já viu esse filme antes, e antes era bem melhor. A essa altura, contudo, o cinema já havia dado de ombros para adaptações de jogos de luta, que entraram numa espiral descendente de ruindade. Dwight Little, longe de ser um grande diretor, ao menos era um operário decente, com filmes B como "Crime na Casa Branca" e "Rajada de Fogo". Acontece. KING OF FIGHTERS - A BATALHA FINAL (Gordon Chan, 2009) Lutadores competem em um torneio que acontece em outra dimensão e... zzzzz... desculpa, apaguei. Nada aqui lembra o jogo. Nada aqui lembra um filme de verdade. Aposto que você, lendo este texto, sequer sabia da existência dessa bomba com Maggie Q no elenco. Ela tem continuações de "Duro de Matar" e "Missão: Impossível" no elenco, poxa vida! Não precisava! TEKKEN 2: A VINGANÇA DE KAZUYA (Wych Kaosayananda, 2014) Este prequel consegue um feito e tanto: ser pior que seu antecessor em todos os aspectos, além de ignorar totalmente a existência do game que çhe empresta o nome. Trívia para você surpreender seus amigos: o ator Gary Daniels, que interpreta Bryan Fury nos dois "Tekken", era figuriha fácil em filmes B nas videolocadoras dos anos 1990 e almejava a coroa de próximo grande astro de ação. Era isso. (Simon McQuoid, 2021) Após um breve hiato, jogos de luta voltaram ao cinema, desta vez com orçamento decente, produção bacana e tratamento de gente grande. Mas faltou "kombate" nessa retomada confusa, sem foco e com Lewis Tan ("Cobra Kai") como um protagonista opaco - tão qualquer nota que, quando a continuação foi lançada, ele foi o primeiro a ser jogado no escanteio. Fatality! MORTAL KOMBAT II (Simon McQuoid, 2026) Com Karl Urban à frente, acompanhado de um plot redondinho e embalado por uma dose saudável de senso de humor, os jogos de luta finalmente sentaram na mesa dos adultos. É o filme perfeito? Longe disso. Mas é o que melhor traduz aquela empolgação adolescente de ligar o console e salvar o mundo do apocalipse em um torneio cósmico de artes marciais. É de mentirinha, mas é bacana! STREET FIGHTER (Kitao Sakurai, 2026) Ambientado nos vibrantes anos 1990, "Street Fighter" acerta na overdose sensorial. Tudo é muito colorido e exagerado, do figurino à caracterização à disposição do elenco em abraçar o absurdo. Só faltou decidirem que história queriam contar, e essa falta de foco impede imersão total. Mas, como já dizia Jonathan Demme, "a luta continua". Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.