Uso de inteligência artificial em currículos atrasa 74% das contratações, diz pesquisa

admin
25 Oct, 2026
Uso de inteligência artificial em currículos atrasa 74% das contratações, diz pesquisa Levantamento aponta que ferramentas generativas ampliam candidaturas, porém exigem etapas adicionais de verificação Especial para o Diário O uso de IA (Inteligência Artificial) na elaboração de currículos tem prolongado os processos seletivos em mais de duas semanas em 74% das empresas brasileiras, segundo pesquisa da Robert Half, empresa de soluções em talentos e consultoria de negócios. O levantamento, com 500 profissionais responsáveis por decisões de contratação, aponta que a tecnologia ampliou o volume de candidaturas e dificultou a identificação de competências reais. Isso porque esses recursos ampliaram o volume de currículos e cartas de apresentação genéricos. O cenário ocorre em um mercado de trabalho no qual 42% das empresas pretendem ampliar suas equipes permanentes no segundo semestre deste ano. Apesar da expectativa de novas contratações, o uso de ferramentas generativas exige mais atenção na análise dos currículos e na verificação das experiências profissionais. De acordo com o estudo, 53% dos entrevistados relatam desafios com o aumento de materiais de candidatura produzidos com IA, enquanto 33% das empresas incorporaram entrevistas adicionais e outras etapas de triagem para confirmar as informações apresentadas. Para o diretor de mercado da Robert Half, Caio Arnaes, a padronização dos currículos dificulta a identificação dos profissionais que realmente possuem as competências exigidas pelas vagas. “Entrevistas e outras etapas de avaliação desempenham um papel ainda mais importante nos processos seletivos. A tecnologia pode apoiar tanto as candidaturas quanto o recrutamento, mas a validação das competências continua exigindo avaliação humana e verificações adicionais por parte das empresas”, indica. O levantamento mostra ainda que 21% dos responsáveis pelas contratações têm dificuldade para distinguir documentos elaborados de forma autêntica daqueles produzidos com auxílio da tecnologia. “Há um problema quando você tem candidato que construiu um currículo por IA e uma empresa que usa IA para fazer a triagem deste processo seletivo”, comenta Leonardo Berto, gerente regional da Robert Half. Na avaliação dele, a situação pode prejudicar a assertividade das contratações, sobretudo em vagas que exigem maior especialização técnica. O resultado pode ser a chegada de candidatos pouco adequados às exigências da função às etapas finais da seleção. Nesses casos, a companhia precisa retomar parte do processo ou realizar avaliações adicionais para identificar o melhor profissional. O uso da inteligência artificial na elaboração de currículos não precisa ser descartado, mas exige revisão cuidadosa. “É fundamental ler, reler, estudar o currículo, ter certeza que cada colocação condiz com a experiência, porque o efeito pode ser rebote”, diz Berto. Para ele, o avanço da tecnologia aumenta a importância da participação humana na seleção. Em vez de se limitar às informações do currículo, o recrutador deve propor situações práticas e perguntas técnicas que permitam verificar se o candidato conhece os processos descritos no documento. Na região, a transformação tecnológica também desafia setores tradicionais, como o automotivo, o metalúrgico e o químico. “Qualquer grande transformação passa por grandes investimentos. As empresas ainda têm um desafio com seus próprios processos. No Grande ABC, parques industriais antigos, com máquinas mais defasadas, tornam a modernização um processo longo”, destaca o gerente regional. Empresas da região usam recurso para agilizar processos A IA (Inteligência Artificial) tem transformado rotinas de trabalho e exigido novas habilidades dos profissionais. No Grande ABC, já existem empresas que automatizaram todos os processos para tentar agilizar os próximos passos da companhia. De acordo com a FGV (Fundação Getulio Vargas), quase metade das empresas brasileiras já adotou a inteligência artificial. Em 2025, de 3.000 empresas, 28,7% delas usavam a ferramenta. Em 2026, o número subiu para 45%. O levantamento também indica que, no ano passado, 52% responderam que a IA aumentava a produtividade. Agora, 64%. Segundo Levi Torres, supervisor de TI da Mazurky, as ferramentas permitem consolidar informações estratégicas e ampliar a agilidade das decisões executivas. Ele alerta, porém, que a implementação exige planejamento. “A IA é uma ferramenta poderosa, mas ela amplifica o que já existe. Se o alicerce estratégico estiver frágil, o resultado também será.” Ele indica que as equipes passaram a ter acesso a informações mais claras e no tempo certo, “o que libera energia para o que realmente importa: análise, decisão e execução” “O trabalho humano de pensar bem antes de agir continua sendo insubstituível.” Para André Cripa, diretor de Inovação e Produtos da CTC, a tecnologia tende a transformar tarefas, sobretudo as repetitivas e previsíveis, sem necessariamente eliminar profissões inteiras. O executivo recomenda que os trabalhadores aprendam a incorporar a IA às atividades sem deixar de desenvolver conhecimentos técnicos e senso crítico. “Quanto mais poderosa fica a tecnologia, mais importante se torna ter repertório para formular boas perguntas, senso crítico aguçado, avaliar a resposta e identificar quando a IA está errada”, diz Cripa, que também destaca a importância de habilidades como criatividade, comunicação e liderança.