Fiat, 50 anos: antes da Strada, Fiorino Trekking já queria ser picape de passeio
25 Oct, 2026
Para comemorar seus 50 anos de atividades no Brasil, a Fiat não ficou só nos lançamentos, como o Argo X, previsto ainda para 2026, e resolveu dar uma olhadinha para o passado. A exemplo do que a Volkswagen já faz por aqui, a italiana vem reunindo e ampliando um acervo de modelos históricos, preservando exemplares que ajudam a contar o que deu certo e o que nem tanto ao longo desse meio século. É verdade que, diferente da rival alemã, a Fiat - ainda - não tem um espaço dedicado só a esses modelos, mas está nos planos para o futuro, bem como a inclusão de vários outros modelos que também marcaram época, como o muito comentado Marea. A maioria ainda está em processo de restauro, mas a italiana resolveu disponibilizar parte desse acervo para que a imprensa pudesse dar uma voltinha e relembrar esses modelos. Parte 1: quando as picapes também viraram carros de passeio Nesta nova série, começamos pelas picapes porque, entre os vários tipos de carro que a Fiat já vendeu no Brasil, poucos deram tanto retorno à marca quanto elas. Basta olhar para a Strada, que terminou 2025 como o veículo mais vendido do país pelo quinto ano consecutivo e já se encaminha para fazer o mesmo em 2026, mas cuja história tem raízes bem anteriores ao seu lançamento, em 1998. No encontro, essa trajetória estava representada por uma Fiorino Trekking, de meados dos anos 90, e uma Strada Opening Edition, da segunda geração. A escolha das duas permite lembrar como a italiana foi acrescentando às suas picapinhas coisas que interessavam também a quem não precisava transportar mercadorias, primeiro com uma apresentação mais aventureira e, depois, com espaço para levar a família inteira. Fiat 147 Pick-up foi picapinha do primeiro carro da marca Foto de: Reprodução Tudo começou com um 147 de caçamba A primeira tentativa aconteceu em 1978, quando a Fiat colocou uma caçamba no pequeno 147 e inaugurou o segmento das picapes leves derivadas de automóveis no Brasil. Para comerciantes e prestadores de serviço, era uma maneira de transportar carga sem precisar comprar uma caminhonete grande, aproveitando a mecânica e o tamanho de um carro que já conheciam, fora a maior facilidade de manobra em lugares pequenos e centros urbanos. Dali vieram a City e, posteriormente, a picape da família Uno, que assumiria o nome Fiorino. O aproveitamento de peças dos carros de passeio ajudava a manter a familiaridade, embora bastasse olhar para a divisão da carroceria para entender a prioridade: uma cabine bem simples para duas pessoas na frente e o restante dedicado à carga. Saveiro - o modelo original de 1982 Foto de: Divulgação O uso particular dessas picapinhas, porém, já começava a ganhar espaço em outras marcas. Sua principal rival, a Saveiro, chegaria em 1982 e exploraria, desde o começo, uma imagem bem mais jovem, descolada e voltada também ao público surfista, enquanto a Fiat e a maior Ford Pampa tinham propostas mais diretamente associadas ao trabalho. Foto de: Thomas Tironi A Fiorino também podia ser descolada Com a Trekking, lançada em meados de 1995, a Fiat começou a dar outra aparência à sua picape, acompanhada por suspensão mais alta e pneus de perfil elevado. Continuava sendo uma Fiorino de tração dianteira, mas já havia ali uma tentativa de atrair quem gostava da ideia de sair do asfalto sem necessariamente comprar um veículo 4x4. A unidade azul do acervo da marca mostra bem essa mistura, mantendo a frente quase igual à de um Uno da época, com faróis retangulares, grade estreita e para-choque preto sem pintura. Acima da cabine, porém, aparecem dois faróis auxiliares presos à estrutura tubular, daqueles detalhes que faziam o carro parecer pronto para uma viagem mais interessante do que o trajeto até o depósito. Fotos de: Thomas Tironi Essa é uma das razões para a Trekking merecer espaço na história da marca, já que antecipava a combinação de carro conhecido, alterações relativamente simples e aparência aventureira que a Fiat exploraria bastante depois na linha Adventure. Uma estradinha até o sítio ou um acesso mais esburacado não exigiam necessariamente tração integral, mas podiam justificar algum cuidado com a altura e os pneus lameiros. Também havia quem comprasse simplesmente porque gostava do visual, sem qualquer obrigação de colocar as rodas na terra. A limitação mais difícil de contornar continuava dentro da cabine, pois a Fiorino levava motorista e um acompanhante, deixando a ideia de ser o único carro de uma família maior bem mais complicada. Strada virou um laboratório com cabine Quando apareceu, em 1998, a Strada levou a picape da Fiat para a família Palio e começou a oferecer alternativas para quem sentia falta de espaço dentro do carro. A cabine estendida, lançada no ano seguinte, já permitia levar bolsas e outros objetos atrás dos bancos, protegidos da chuva e sem ocupar o lugar do passageiro. Enquanto a linha Adventure dava continuidade à proposta de aparência mais aventureira, a Fiat também foi aumentando a capacidade de levar gente. Anos depois, em 2009, veio a cabine dupla e, em 2013, a terceira porta do lado direito, que facilitava o acesso ao banco traseiro sem exigir que todo mundo entrasse pelo mesmo caminho dos ocupantes da frente. O espaço adicional para passageiros cobrava sua conta na caçamba, mas o comprador passou a escolher o que lhe fazia mais falta. Quem precisava carregar volume tinha a cabine simples, enquanto quem pretendia conciliar trabalho e uso particular já podia considerar uma configuração com banco traseiro. É uma mudança importante para entender a distância entre Fiorino e Strada, porque o apelo de passeio deixou de depender principalmente da aparência. A picape passou a resolver necessidades que antes obrigavam o comprador a manter outro carro em casa ou escolher uma categoria diferente. Geração atual virou mini-Toro Na segunda geração, lançada em 2020, a Strada ganhou quatro portas e cinco lugares na cabine dupla, além de mudar bastante de aparência. O parentesco com o Palio ficou para trás, dando lugar a um projeto que aproveita componentes de outros Fiat, incluindo o Mobi, mas que buscou inspiração na Toro para parecer maior e mais cara. A irmã já havia mostrado que a italiana conseguia vender uma picape também pelo conforto, pelos equipamentos e pelo desenho. O câmbio automático CVT chegou em 2021 e o motor 1.0 turbo T200 em 2023, ampliando o interesse de quem gostava de picapes, mas não queria abrir mão das comodidades de um carro de passeio. Ao mesmo tempo, a Fiat manteve as configurações mais simples e a cabine de duas portas, preservando a oferta para quem precisava de mais caçamba e menos banco. Essa combinação ajudou a Strada a chegar à liderança de vendas do mercado brasileiro, atendendo tanto quem depende da picape para trabalhar quanto quem simplesmente prefere ter uma na garagem. É também nesse segundo público que as concorrentes estão de olho, caso da futura Volkswagen Tukan, prevista para 2027. Quais os próximos passos? Ainda não sabemos, mas a picape já se prepara para uma nova geração até o fim da década e, desta vez, retornará como derivada do principal hatch da marca, tendo inclusive potencial de ganhar alcance global. Leia mais Sucessor do Mobi? 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