Ju Ferraz abre 5ª edição do B.O.D.Y. com futebol feminino a meses da Copa
2 Nov, 2026
Feriado no Cosme Velho, café na mão, release aberto no celular. Li "Ju Ferraz abriu a programação com talk sobre futebol feminino" e quase derrubei a xícara na mesa. Abrir o B.O.D.Y. com Formiga no palco, a poucos meses de o Brasil receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, é escolha de quem lê calendário de marketing melhor do que muito CMO. Primeiro, o mecanismo, porque tem gente que ainda trata isso como festa. O B.O.D.Y. é um evento proprietário da Holding Clube, empresa em que Ju é sócia e diretora. Em português de gente: a agência criou um produto próprio. Em vez de só executar evento para cliente, ela é dona do palco, da curadoria, da lista de convidados e da audiência. Marca que entra ali compra pertencimento a uma causa com rosto famoso e público qualificado na mesma tacada. E tudo vira conteúdo depois, em talk, foto e feed. Os números explicam por que o mercado leva a sério. A primeira edição foi em outubro de 2022. Na segunda, em 2023, a expectativa era de 500 pessoas. A terceira passou de mil. A quarta reuniu mais de 2 mil, com 30% do público destinado a instituições sociais. Para 2026, a organização estimava 2.500 pessoas e estreou uma sala de mentorias. Cinco edições em quatro anos, com público multiplicado por cinco. Isso é rodada sem cap table: o ativo cresce e o dono continua o mesmo. Ju Ferraz é a rainha do relacionamento, e o apelido tem lastro, já que a trajetória dela no mercado de PR foi construída exatamente nisso. A lista de sábado prova: Deborah Secco, Erika Januza, Formiga, Gal Barradas, Anne Lottermann, Giullia Buscacio, Rita Batista, Thais Carla, Paola Antonini e mais uma fila de nomes. Um detalhe que eu anotei. O release chama o Prêmio Preta Gil de iniciativa inédita, mas a cobertura do Meio & Mensagem informa que esta foi a segunda edição do prêmio. Release adora um "inédito". Eu adoro conferir. E o prêmio tem história. Preta Gil, uma das vozes mais fortes do movimento Corpo Livre, apoiava o B.O.D.Y. desde o começo. Morreu em julho de 2025, e a edição seguinte do evento, em novembro daquele ano, já veio com homenagem. Em 2026, o Prêmio Preta Gil Para Vozes Que Transformam Gerações foi para a influenciadora Dani Rudz, a empreendedora Ana Fontes, a apresentadora Letticia Munniz e a atriz Gabriela Loran. Minha leitura. Em 2024, a própria Ju disse que a diversidade parecia ter saído de moda nas estratégias de marketing das empresas. Enquanto grandes marcas cortaram budget de causa, ela dobrou a aposta e fez o evento crescer. Quando o grandão recua, quem tem plataforma própria vira o endereço natural do patrocinador que ainda quer falar com mulher sem parecer oportunista. Radar da Kátia. Com a Copa Feminina em 2027 em casa, a expectativa é de corrida das marcas por narrativa no futebol feminino, e quem já tem palco, rosto e público montado sai na frente. Também não me surpreende se o B.O.D.Y. ganhar versão fora de São Paulo: em 2024, Ju já falava em levar o evento para capitais do Norte e do Nordeste. Isso ainda é leitura, não anúncio. Para quem empreende, o recado é prático. Evento proprietário é o ativo que agência de serviço quase nunca constrói, porque dá receita de patrocínio, gera conteúdo o ano inteiro e transforma o dono em mídia. Para quem é marca, a pergunta muda de "quanto custa ativar ali" para "quanto custa ficar de fora quando o tema esquentar". Ju Ferraz entendeu antes de muita holding que causa bem curada também é ativo. E abriu com futebol feminino justamente no ano anterior à Copa.