Carros mais baratos: por que você acaba pagando menos que preço de tabela
2 Nov, 2026
Resumo Na hora de escolher que carro comprar, a prática mais comum é consultar o preço de tabela, disponível nos sites da maioria das montadoras. Mas será que os automóveis são mesmo vendidos por esses valores no Brasil? Até meados da década passada, conseguir bons descontos - até 10% ante a tabela - para os veículos, ante o preço de tabela, era uma prática comum no mercado. Porém, nos últimos anos, o cenário mudou, e os abatimentos se tornaram mais modestos - ou inexistentes, no caso de algumas montadoras. Além disso, ficou mais comum ter preço bem inferior ao da tabela nas compras com CNPJ. Mas, em 2026, o cenário está mudando novamente. E o motivo é o mesmo que vem abalando as estruturas de montadoras em diversas áreas: as marcas chinesas. Elas são as principais responsáveis pelo excesso de descontos na compra do zero-km que vem dominando o cenário atual. É que, com tantas novas marcas no País, é preciso trabalhar com condições agressivas para vender. E a "guerra de preços" ficou tão intensa que a própria China pediu para as montadoras do país manerarem na prática de abatimentos. Além das próprias chinesas, os descontos têm sido mais constantes nas montadoras veteranas do Brasil. A ponto de até a Toyota, conhecida pela prática de vender carros apenas pelo preço de tabela até em época de excesso de promoção da concorrência, entrou na onda. De acordo com a coluna Paula Gama, aqui de UOL Carros, a marca está praticando abatimentos até R$ 54 mil (leia detalhes). Desconto "permanente" Há casos também em que o desconto fornecido pela própria montadora é tão duradouro que deixa de ser uma ação pontual. Vira praticamente um abatimento "permanente", pois vai sendo prorrogado mês a mês, com leves variações. Nesse caso, temos veículos que, na prática, custam menos (em alguns casos bem menos) do que o sugerido na tabela. Aqui, vamos mostrar alguns exemplos de carros que têm, no geral, preços bem melhor do que suas tabelas sugerem. O GAC GS4 é um deles. A marca vem investindo bastante em ações de varejo neste segundo semestre, com condições especiais de financiamento e, em alguns casos, ótimos descontos. O GS4 pode ser comprado por R$ 170 mil na versão de entrada. O preço é R$ 22 mil inferior ao sugerido na tabela. O topo de linha está com abatimento de R$ 20 mil - e sai por R$ 190 mil. É alta a possibilidade de a GAC estender condições especiais para o carro em novembro, ainda que execute algumas alterações na oferta. A BYD é outra marca que promove constantes ações de varejo, contemplando descontos. Isso desde o ano passado. O Song Pro é um dos que mais oferecem abatimentos. Neste momento, por exemplo, está à venda por R$ 161,5 mil (ante os R$ 190 mil da tabela). A Jeep sempre trabalhou com bons descontos, mas geralmente focados na compra com CNPJ. Porém, no decorrer de 2026, a montadora vem estendendo suas ofertas para compras com CPF. Entre os que têm descontos, um dos mais recorrentes é o Compass Sport. Versão de entrada do modelo, está saindo por R$ 140 mil, de acordo com informações do site de ofertas da montadora. Na tabela, o preço sugerido é de R$ 175 mil. Também no Grupo Stellantis, do qual faz parte Jeep e Fiat, a marca italiana oferece descontos recorrentes para a picape Titano. A versão intermediária Volcano está à venda por R$ 186 mil, ante os cerca de R$ 268 mil da tabela. Prática gera desvalorização? Os descontos são uma prática comum no mercado brasileiro de carros. Porém, existe a crença de que podem gerar aumento no índice de desvalorização do usado, gerando mais perdas para o consumidor na revenda. Esse crença é verdadeira? Depende do ponto de vista. A prática tende sim a gerar uma alta no índice de desvalorização, que pode ser diferente de uma depreciação real, dependendo do caso. De acordo com um estudo da Auto Avaliar apresentado durante o Congresso Fenabrave 2026 - evento promovido pela federação das associações de concessionárias, em setembro -, a guerra de preços no mercado vem causando maiores percentuais de depreciação até para modelos que tinham baixíssimo índice, como Honda HR-V e Toyota Corolla Cross. Por outro lado, é preciso considerar que os índices são calculados a partir do preço de tabela. Assim, muitas vezes eles não são reais, já que, com as ofertas, o cliente paga um montante mais baixo que o sugerido. Por isso, quem comprou com desconto terá uma depreciação bem menor do que o índice sugere. Já quando a redução é no preço de tabela, o aumento no índice de desvalorização tende a ser real. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.