Por trás da nota do Enem: quem são os corretores de milhões de redações

admin
4 Nov, 2026
Resumo A prova de redação será aplicada em 8 de novembro, primeiro dia do Enem. E quem vai corrigir os textos dos mais de 5 milhões de inscritos confirmados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também precisa passar por testes de seleção. A exemplo de outros anos, em 2026, esse processo é conduzido pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe). Os interessados em corrigir os textos precisaram se inscrever no Programa de Atualização e Qualificação de Avaliadores das Redações do Enem (PAQ-A) —o prazo regular de inscrição terminou em 15 de julho. Quem pode ser corretor Segundo o regulamento do programa, para ser corretor é preciso ter graduação em Letras/Língua Portuguesa ou Linguística. Há exigências adicionais para quem pretende avaliar textos de participantes com transtorno do espectro autista (TEA) ou dislexia, assim como de pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Nesses casos, é obrigatório comprovar experiência na avaliação dessas redações ou no trabalho com a produção escrita do público correspondente. Outra possibilidade é possuir pós-graduação na área em que pretende atuar. Estar inscrito no Enem daquele ano impede a participação na seleção para corretor. A restrição também vale para familiares de candidatos nas relações previstas no regulamento, que incluem cônjuges e enteados. Profissionais vinculados a cursos preparatórios para o Enem, vestibulares ou concursos públicos também não podem participar. O regulamento proíbe atividades que configurem conflito de interesse, incluindo a divulgação em mídia, nos últimos 12 meses, de atividades preparatórias para a elaboração de redações. Corretores também fazem provas O primeiro passo de quem se inscreve para a função é um curso a distância obrigatório, de 120 horas, distribuídas em seis módulos. A etapa tem caráter eliminatório. Depois, há provas objetiva e discursiva on-line. Profissionais com certificado de avaliador ou supervisor do Enem das edições de 2023 a 2025, emitido pelo Cebraspe, são dispensados dessa etapa. Na prova discursiva, o candidato a corretor precisa escrever um texto de até 15 linhas, para que sua expressão escrita e o domínio da modalidade formal da língua portuguesa sejam avaliados. A seleção prossegue com uma capacitação presencial de 16 horas e um pré-teste, também eliminatórios. No pré-teste, o candidato avalia de 50 a 60 redações, quantidade que pode ser alterada pelo Cebraspe. Para ser aprovado, precisa alcançar ao menos sete dos dez pontos possíveis. Os textos corrigidos nessa etapa não são remunerados. Durante o trabalho, os selecionados ficam vinculados a um supervisor responsável pelas orientações pedagógicas da equipe. Devem seguir os critérios ensinados nas capacitações e preservar o sigilo das informações relativas à avaliação. Corretores continuam sendo avaliados O acompanhamento inclui provas-âncora: textos previamente avaliados por especialistas, usados como referência para verificar o desempenho dos corretores. Cada conjunto disponibilizado para correção terá entre duas e quatro dessas provas. Quanto mais as notas atribuídas pelo profissional se aproximarem das referências, melhor será considerada sua avaliação. O regulamento também prevê a comparação das pontuações dadas a um conjunto de redações avaliado por todos os corretores do exame. As provas-âncora servem ao acompanhamento da equipe e não ao cálculo da nota dos participantes. Para fins de pagamento, apenas metade dessas provas é contabilizada. Se o desempenho ficar abaixo de sete pontos, o avaliador será suspenso. Na primeira ocorrência, o retorno depende de autorização do supervisor. Na segunda, a decisão precisa também ser homologada pelo Cebraspe. Uma terceira ocorrência provoca a dispensa. Se o resultado ficar abaixo de cinco pontos, o profissional será dispensado. Nesse caso, também não recebe pelas redações do conjunto em que o desempenho insuficiente foi registrado. Quanto recebe um avaliador O regulamento de 2026 prevê pagamento de R$ 3 por texto avaliado na primeira ou na segunda correção. Cada redação passa por pelo menos dois corretores, que trabalham de forma independente, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para quem atua na terceira avaliação, acionada quando há discrepância, o valor é de R$ 3,30 por redação. O trabalho ocorre exclusivamente pela internet, em sistema específico. O avaliador precisa dispor dos equipamentos necessários. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.