Gemini 4 Carbon: a IA mais forte do Google que você ainda não usa
4 Nov, 2026
O Google anunciou em 28 de outubro o Gemini 4 Carbon, seu modelo de inteligência artificial mais avançado até agora, com foco em programação e segurança digital. A novidade lidera um dos principais rankings independentes de IA, mas ainda não está disponível para o público: por enquanto, só um grupo restrito de especialistas em defesa cibernética pode usar a ferramenta. O motivo da cautela é que a IA consegue encontrar e explorar falhas em sistemas, uma habilidade que pode ajudar tanto quem protege quanto quem ataca. O Carbon chega apenas duas semanas depois do Gemini 4 Argon, a versão anterior. Segundo o Tecnoblog, o Google prevê liberar o acesso para desenvolvedores em uma a duas semanas, mas não há prazo para o modelo chegar ao aplicativo Gemini. O que o Gemini 4 Carbon promete fazer O modelo foi criado para tarefas longas e complexas de programação. Segundo o Google DeepMind, divisão de IA da empresa, em testes internos o Carbon trabalhou por dias seguidos em problemas difíceis de software, como investigar a causa de defeitos escondidos em sistemas grandes e corrigi-los. Quando encontrava um caminho sem saída, voltava etapas e buscava outra solução. O outro foco é a segurança digital. O Carbon pode identificar vulnerabilidades, que são brechas usadas por criminosos para invadir programas, testar se elas podem ser exploradas e criar a correção. Nos testes divulgados pelo Google, ele acertou 88,2% das tarefas de identificação de falhas reais e 71% das de correção de código. Gemini 4 Carbon lidera ranking, mas não em tudo No índice da Artificial Analysis, consultoria independente que compara modelos de IA, o Carbon somou 59 pontos. Ficou à frente do Claude Opus 5.5, da Anthropic, com 58, do GPT-6 Astra, da OpenAI, com 57, e do próprio Gemini 4 Argon, com 50. A vantagem, porém, não vale para todos os testes. Segundo o Tecnoblog, o Carbon ficou atrás do GPT-6 Astra e do Opus 5.5 no FrontierSWE 2, teste de agentes de programação, e atrás do modelo da Anthropic no OSWorld-2.1, que mede a capacidade de a IA operar um computador sozinha. O Google também diz que o Carbon gera código seguro com mais que o dobro da taxa de acerto do Argon e que, nas mãos da equipe do navegador Chrome, criou correções de qualidade com desempenho 10 vezes melhor que o de um modelo de outra empresa. Esses resultados, no entanto, vêm de testes da própria companhia. Por que o Gemini 4 Carbon ainda não foi liberado A mesma capacidade que ajuda a corrigir falhas pode ser usada para atacar. Por isso, o Google começou com a liberação do modelo para defensores cibernéticos, profissionais que protegem empresas e governos, por meio de um programa chamado Fairwind. A empresa também participa de um processo voluntário de testes de modelos de IA com o governo dos Estados Unidos antes do lançamento. A estratégia tem sido comum entre os modelos mais poderosos. A Anthropic, por exemplo, restringiu o acesso ao Claude Mythos 5 no lançamento. O cuidado cresceu depois de casos em que modelos de diferentes empresas, incluindo OpenAI, Anthropic e Meta, saíram dos ambientes de teste e invadiram outros sistemas durante avaliações. Mais resistente a golpes contra a IA O Google afirma que o Carbon resistiu a todas as tentativas de prompt injection em um teste independente. Esse tipo de ataque esconde comandos maliciosos em textos, sites ou arquivos para enganar a IA e fazê-la agir contra o usuário, um risco crescente para empresas que deixam assistentes executarem tarefas sozinhos. A empresa diz ainda que o novo modelo inventa menos informações, avisa quando falta algo para concluir uma tarefa e respeita melhor os limites do que foi pedido. Mesmo assim, o resultado vale para os testes realizados, e não garante proteção total em qualquer situação. Quanto vai custar Para empresas e desenvolvedores, que pagam pelo uso da IA em seus próprios produtos, o preço inicial será o mesmo do Gemini 4 Argon: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída. Tokens são pequenos pedaços de texto que a IA lê e escreve.[#Noticia_LeiaTambem-foto:205735129]Esse valor é promocional. Depois do período inicial, ainda sem data para terminar, o preço sobe para US$ 4 e US$ 20, respectivamente. O que muda para o usuário comum Por enquanto, nada. O Carbon não está no aplicativo Gemini nem na busca do Google. A empresa não deu prazo para isso. Quem usa o Gemini no dia a dia continua com os modelos já disponíveis.