Governo de SP prevê gastar R$ 35 mi em reconhecimento facial de câmeras

admin
4 Nov, 2026
Resumo O governo de São Paulo abriu uma nova licitação em que prevê gastar R$ 35 milhões para ampliar a tecnologia de reconhecimento facial e processamento de dados do programa Muralha Paulista. O sistema do estado, semelhante ao Smart Sampa da cidade de São Paulo, atende 600 municípios atualmente. A tecnologia de análise de dados e o reconhecimento facial foi adquirida, em janeiro deste ano, por R$ 1,5 milhão. A nova licitação, aberta na última quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e à qual o UOL teve acesso, estima um gasto de R$ 35 milhões, baseado em custos da empresa chinesa Dahua —o Muralha Paulista usa plataforma tecnológica da companhia. A proposta prevê expandir a capacidade de processamento de imagens em um terço e dobrar os canais simultâneos das câmeras, ou seja, permitir que o dobro de telas possa ver a imagem sendo captada naquele momento. A Secretaria disse ao UOL que a ampliação do sistema incluirá registros da Polícia Civil de São Paulo na base de dados faciais —uma ideia que não saiu do papel até hoje— e acrescentará armazenamento e equipamentos. Hoje, o sistema é capaz de reconhecer 300 faces por segundo em 256 canais simultâneos de transmissão das câmeras. A proposta prevê o dobro de canais (512) e processamento de dados de 400 faces por segundo. Os valores serão pagos em uma parcela única, mas o trabalho do contratado inclui "assistência técnica e monitoramento por cinco anos". "A comparação com o contrato anterior precisa considerar essas diferenças de escopo e prazo", afirmou a secretaria. As propostas do pregão começaram a ser entregues nesta terça-feira (3). O julgamento das propostas está previsto para o dia 13 de novembro. Fornecedor recebeu R$ 107 milhões A empresa que ganhou a licitação de janeiro para analisar os dados das câmeras de segurança e usar reconhecimento facial é a Compwire Informática Ltda. Ela usa plataformas da Dahua. A empresa já recebeu R$ 107 milhões do governo de São Paulo na gestão de Tarcísio de Freitas, entre 2023 e outubro de 2026, segundo o portal da Transparência paulista. Em 2026, a empresa teve R$ 91 milhões empenhados (prometidos em pagamento). Desse valor, R$ 43 milhões já foram pagos, em serviços à Polícia Militar de São Paulo. Dois petabytes de armazenamento A Secretaria de Segurança Pública afirmou ao UOL que a ampliação "vai além do aumento de processamento e dos canais de vídeo". "O projeto inclui elevar a capacidade da base facial de 6 milhões para até 31 milhões de registros, acrescentar quase 2 petabytes de armazenamento bruto e incorporar equipamentos, licenças e sistemas de reserva para reduzir o risco de interrupções", disse. A pasta diz que a disputa é que vai definir o preço da contratação. A secretaria destacou que o orçamento está "temporariamente sob sigilo". Smart Sampa apresentou falhas O sistema de vigilância integrada por câmeras para identificar criminosos não é exclusividade de São Paulo. Há 600 iniciativas como essa em todo o país. Como mostrou o UOL, uma falha de segurança no Smart Sampa permitiu o acesso indevido às gravações de 58 mil câmeras de São Paulo, a maior cidade do país. Semanas depois, a reportagem voltou a ter acesso a 17 mil câmeras conveniadas do sistema, em nova falha de segurança. Segundo o Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), do Rio de Janeiro, mais de 100 milhões de brasileiros são potencialmente monitorados por um dos 608 projetos semelhantes em todo o país. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.