Tite molda um Botafogo operário para reencontrar a vitória

admin
5 Nov, 2026
Adenor Leonardo Bachi, o Tite, entendeu que o Botafogo precisava de um choque para reagir nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. O técnico ousou, então, abrir mão de três referências técnicas nos 11 iniciais que receberam o Atlético Mineiro B na quarta-feira (4), no Estádio Nilton Santos, pela jornada 34 da competição nacional. Sem o lateral-esquerdo Telles, o meia Montoro e o atacante Ziyech, os operários do treinador responderam com a vitória por 1 a 0, resultado que deixa o Mais Tradicional longe do Z4 e perto da salvação. Faltam somente três pontos em 12 disputados, com dois jogos ainda no Colosso do Subúrbio, para acabar com qualquer margem de tragédia na Série A. O incansável Edenilson, com passe de Vitinho, anotou o único gol da noite. Telles, recuperado de uma virose, ainda entrou no segundo ato do espetáculo. Mas Montoro e Ziyech foram, de fato, preteridos e sequer saíram do banco de reservas, no Engenho de Dentro. Em contrapartida, os proletários de Tite entregaram combate, intensidade e mais apetite em relação às últimas duas derrotas consecutivas (Internacional e Remo, ambos fora de casa), apesar da falta de criatividade e a dificuldade para matar o jogo. A postura coletiva diferente facilitou a sinergia entre a arquibancada e o campo. A torcida comprou o barulho do clube, chegou junto em bom número e apoiou o Glorioso durante os 90 minutos. “Fui atleta profissional. Quando meu técnico não me escalava, me respeitava e me treinava de forma igual. O tratamento direitivo era igual. Por vezes, temos que escolher um ou outro jogador conforme a circunstância. Entendo quando colocam que há atletas com a qualidade técnica maior. Quero, no entanto, mostrar a ideia que tenho. Há um conjunto de atletas disponíveis para o Botafogo. A oportunidade, o treinamento, o desempenho em campo, as situações, as necessidades, a característica do jogo. É um contexto todo. Isso não é desconsiderar outros jogadores que tenham qualidade técnica”, filosofou Tite. Técnico do Botafogo inaugura esquema tático Durante a prévia do encontro entre cariocas e mineiros, ninguém em sã consciência poderia imaginar que o Botafogo subiria ao tapetinho com Justino, Paulinho, Huguinho novamente de “5” e Pereira. Tite também abdicou dos pontas e apostou, pela primeira vez, no 5-3-2. No segundo tem, sim, Adenor lançou as “flechas” Toledo e Martins. O Glorioso, porém, desperdiçou chances claras de sair de campo com um resultado mais elástico. Faltou, portanto, maior efetividade. Do outro lado, o Botafogo um adversário, na teoria, “desmobilizado” no Brasileirão por conta da sua participação na semifinal da Copa do Brasil e na final da Sul-Americana. Este pensamento, porém, poderia soar enganosos. Afinal, o Atlético tinha meninos do sub-20 buscando mostrar serviço e medalhões para convencer à comissão técnica carijó do seu devido valor. Por isso, Tite coloca a apresentação contra o Galo como uma das melhores de sua curta passagem pelo Mais Tradicional. “Três jogos foram bons: Coritiba, Chapecoense e Mineiro. Enfrentamos uma equipe que modifica atletas, mas estão há oito ou nove meses. O Scarpa, por exemplo, já tem característica, assim commo Dudu e Victor Hugo, que entrou. Eles já têm uma forma de jogar e uma constância. Precisamos de solidez e uma presença de área mais forte. E uma consistência, claro. Controlar quando está sem bola, dominar e ser efetivo. Se olhar as oportunidades criadas, o placar podia ser maior, pelas jogadas limpas. Procuramos esse equilíbrio”, colocou Tite, à equipe de reportagem do Jogada10. Com 42 pontos, o Botafogo subiu para a 11ª colocação no Brasileirão, posição que o deixaria classificado para a próxima Copa Sul-Americana. O Mais Tradicional volta a campo no dia 18, após a Data Fifa, contra o Corinthians de Clarence Seedorf, na Neo Química Arena, em São Paulo.