Transístor criptográfico só libera informação na hora marcada
5 Nov, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/11/2026 Transístor com memória temporal Algumas informações, como questões de vestibulares ou preços de licitação, devem permanecer ilegíveis até uma data e horário previamente acordados, mas precisam chegar no local onde serão usadas muito antes desse prazo. O esquema tradicional de criptografia não consegue lidar com isso: Transistores formam processadores, que formam computadores, que rodam softwares, que então criptografam as informações; mas datas e horários não entram na equação, inserindo riscos que põem toda a segurança a perder. Que tal então levar a criptografia diretamente para o transístor, que representa a mais básica célula de memória computacional? Essa ideia um tanto radical acaba de ser demonstrada por Huisu Noh e colegas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), que criaram um transístor que pode ser configurado para apresentar memória de curto ou de longo prazo, bastando para isso inverter sua polaridade. Quando essas duas características de operação são estendidas a uma matriz, como nos milhões de transistores que formam um chip, torna-se então possível implementar criptografia baseada em tempo, na qual letras predefinidas aparecem apenas em momentos específicos. Já existem métodos de criptografia que utilizam o tempo como condição para acessar informações, mas o que diferencia esta solução é que o momento em que a informação pode ser lida é determinado por mudanças físicas dentro do próprio semicondutor, e não apenas por relógios externos ou por software, tornando o sistema muito mais seguro. Transístor criptográfico O transístor criptográfico possui dois tipos de memória integrados em um único dispositivo: Memória de longo prazo, que é retida por um longo período, e memória de curto prazo, que muda com o tempo - nesse contexto, memória se refere à capacidade de um componente de reter um estado que foi alterado por uma tensão aplicada. Os transistores de memória convencionais armazenam informações principalmente alterando a tensão de limiar, a tensão na qual a corrente começa a fluir. O novo transístor, por outro lado, pode controlar independentemente tanto a tensão de limiar quanto a corrente de saturação, o nível de corrente mantido sob condições operacionais fixas. Como resultado, a tensão na qual a corrente começa a fluir e a quantidade de corrente que flui podem ser definidas separadamente. Em outras palavras, o dispositivo possui dois estados programáveis: a tensão de limiar e a corrente de saturação. A memória de longo prazo é obtida ajustando a tensão de limiar por meio do aprisionamento de carga, e a memória de curto prazo é obtida ajustando a corrente de saturação por meio da migração de íons na interface. Técnica para criptografia em hardware Utilizando diversos transistores, os pesquisadores configuraram a variação da corrente ao longo do tempo e definiram um critério de leitura para cada dispositivo, demonstrando dois métodos de criptografia. Na criptografia com liberação temporal, a informação só aparece após um determinado período. No experimento, a diferença na corrente entre o estado normal e o padrão-alvo aumentou com o tempo, com a letra armazenada tornando-se legível após 8,4 segundos. Na criptografia com tempo limitado, a informação correta só pode ser lida dentro de um intervalo de tempo específico. No experimento, um padrão de teste, a letra "K", apareceu em 1,5 segundo, enquanto a letra-alvo "T" apareceu no tempo determinado de 37 segundos. Portanto, o mesmo conjunto de transistores apresenta informações diferentes dependendo do momento da leitura. A equipe também propôs um método de criptografia para ambientes de nuvem, no qual os dados são armazenados em servidores remotos acessados pela internet. Nesse método, diferentes condições de tempo são aplicadas ao texto cifrado armazenado na nuvem e à chave de descriptografia que o usuário possui. O texto cifrado é um dado que foi convertido em uma forma na qual a informação original não pode ser reconhecida, e a chave de descriptografia é a informação necessária para convertê-lo de volta. Em uma demonstração utilizando a matriz de transistores que construíram, os pesquisadores restauraram a informação original combinando o texto cifrado e a chave que correspondia a cada condição de tempo. A equipe planeja agora reduzir a tensão de operação e melhorar a uniformidade e a consistência entre os transistores ao longo de ciclos operacionais repetidos, para que eles possam funcionar de forma estável em diferentes ambientes. O passo seguinte será então estender a tecnologia para segurança baseada em tempo e para dispositivos neuromórficos, que imitam o funcionamento e a conexão dos neurônios no cérebro.