Rio das Ostras faz primeiro Censo Animal digital
6 Nov, 2026
Saber quantos animais vivem em cada bairro, identificar onde estão concentrados cães e gatos e descobrir quais regiões precisam de mais atenção no combate às zoonoses. Esse é o objetivo do primeiro Censo Animal de Rio das Ostras, que aposta em tecnologia desenvolvida pelos próprios servidores municipais para transformar informações coletadas nas residências em políticas públicas de saúde. O levantamento está em andamento e pretende mapear não apenas animais domésticos, mas também diferentes espécies que podem ter importância para a vigilância sanitária e ambiental. A iniciativa utiliza um aplicativo criado integralmente pela equipe do Sistema de Informação do departamento de Vigilância Ambiental, vinculado à Vigilância em Saúde. A ferramenta foi desenvolvida para facilitar o trabalho dos agentes e garantir maior precisão na coleta de dados, sem depender de conexão com a internet ou sinal de telefonia. Com tablets em mãos, os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) percorrem as localidades e visitam os imóveis para registrar informações sobre os animais existentes em cada residência. O sistema permite que o levantamento seja realizado inclusive em áreas sem cobertura de internet ou telefonia móvel, já que funciona sem chip e não exige conexão durante as visitas. A dinâmica foi planejada para simplificar o trabalho de campo. Ao final de cada jornada, os dados registrados pelos agentes são transferidos por Bluetooth para o tablet do supervisor responsável. Depois, as informações seguem para o Setor de Informação da Vigilância Ambiental. Na etapa seguinte, uma automação também desenvolvida pela equipe municipal processa os registros e organiza os resultados em uma planilha completa, que poderá ser utilizada pelos profissionais para análises e planejamento das ações. A proposta é substituir estimativas por informações coletadas diretamente nos domicílios. Com um retrato mais preciso da população animal, a administração municipal poderá identificar necessidades específicas de cada região e direcionar os serviços de acordo com a realidade encontrada. Levantamento inclui diferentes espécies de animais O Censo Animal não se limita a cães e gatos. O trabalho também contempla galinhas, cavalos, aves ornamentais, como faisões, pavões, avestruzes e emas, além de anseriformes, grupo que inclui patos, marrecos e gansos. O levantamento abrange ainda psitacídeos, como papagaios, araras, periquitos e calopsitas, e passeriformes, entre eles canários, trinca-ferros, curiós e coleiros. A diversidade de espécies consideradas tem relação direta com a prevenção de doenças. Algumas podem atuar como reservatórios ou vetores de agentes causadores de zoonoses, enfermidades que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. Por isso, conhecer a distribuição desses animais pelo território municipal é uma etapa importante para identificar áreas que exigem maior atenção da Vigilância em Saúde. Entre os dados que poderão ser consultados estão a quantidade de animais por localidade, as espécies existentes em cada região e o número de cães e gatos cadastrados. O sistema também permitirá identificar informações sobre vacinação contra a raiva e castração. Com esse mapeamento, será possível planejar campanhas de vacinação antirrábica, programas de castração, atividades educativas e estratégias de controle de zoonoses. A distribuição das equipes também poderá considerar as necessidades identificadas em cada bairro. O coordenador de Vigilância Ambiental, Jorgito Pinheiro, explica que o levantamento busca ampliar o conhecimento sobre a presença de diferentes espécies no município e seus possíveis impactos na saúde pública. “Nosso objetivo é entender como está a população de cães e gatos no Município e também conhecer a presença de outros animais, já que alguns podem ser reservatórios ou até vetores de doenças. Com essas informações mapeadas, o trabalho fica mais completo”, afirma. Segundo Jorgito, o desenvolvimento da ferramenta também representa um diferencial para o município, já que a tecnologia foi criada especificamente para atender às necessidades do trabalho de campo. “Outro grande diferencial é que Rio das Ostras é o primeiro Município a realizar um levantamento dessa magnitude utilizando uma tecnologia desenvolvida especificamente para essa finalidade pela própria equipe do Sistema de Informação. Esse pioneirismo coloca nossa Cidade em destaque por investir em inovação e inteligência de dados para fortalecer a Vigilância em Saúde”, explica. Antes de entrar em funcionamento, o aplicativo passou por uma série de testes em campo, realizados por um grupo de controle. A ferramenta foi ajustada a partir das necessidades identificadas durante essa fase, com foco na praticidade e na realidade enfrentada pelos agentes durante as visitas domiciliares. Censo já ajuda a planejar vacinação antirrábica A superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, destaca que o resultado do levantamento poderá refletir diretamente na qualidade dos serviços oferecidos à população. Com informações mais precisas, as ações poderão alcançar regiões que realmente apresentam maior necessidade de atendimento. “Para a população, isso representa uma melhoria importante na qualidade dos serviços prestados. Com dados confiáveis, as ações podem ser direcionadas exatamente para as regiões que mais precisam, aumentando a eficiência das políticas públicas voltadas à Saúde Animal e, consequentemente, à saúde das pessoas”, ressalta. A Secretaria de Saúde também reforça a importância da colaboração dos moradores. Durante as visitas, os responsáveis pelos imóveis são orientados a receber os Agentes de Combate às Endemias e informar corretamente quais animais vivem no local. A participação dos moradores é fundamental para que o cadastro represente, com fidelidade, a realidade de cada região. O levantamento começou neste ano e poderá se estender até o início de 2027, com o objetivo de contemplar todo o território municipal. A consolidação dos dados está prevista para dezembro, quando será possível reunir e analisar as informações coletadas ao longo das visitas. Mesmo antes da conclusão, o trabalho já contribuiu para o planejamento da Campanha de Vacinação Antirrábica Animal de 2026. Os dados parciais serviram de referência para a organização da mobilização, prevista para ocorrer nos quatro sábados de novembro, em diferentes localidades. A iniciativa mostra como informações sobre a população animal podem ajudar a orientar decisões que vão além do cuidado com cães e gatos. Ao identificar espécies, distribuição territorial e situação vacinal, o município amplia sua capacidade de prevenção e fortalece as estratégias de proteção à saúde animal e humana.